Começam nesta sexta-feira os treinos que podem mudar a F-1

liviooricchio

18 de novembro de 2010 | 13h57

18/XI/10

Livio Oricchio, de Doha, Catar

 As 12 equipes que disputam o Campeonato Mundial vão treinar hoje (sexta-feira) e amanhã no circuito Yas Marina, em Abu Dabi, onde domingo Sebastian Vettel, da Red Bull, conquistou o título. Mas se trata de um treinamento muito especial: será o primeiro e único treino com os pneus Pirelli, marca que substituirá a Bridgestone na Fórmula 1, antes da apresentação dos carros de 2011. A mudança é tão grande que pode alterar substancialmente a ordem de forças da competição.

 “Os ensinamentos desse teste, quero dizer, compreender quais são as características dos pneus, o que eles exigem das suspensões, como interferem no projeto aerodinâmico, enfim, esses dados serão utilizados para finalizarmos os carros de 2011”, disse em entrevista exclusiva ao Estado, nos Emirados Árabes Unidos, o diretor-técnico da Red Bull, Adrian Newey, campeã também entre os construtores.

O diretor de esportes a motor da Pirelli, Paul Hembery, da mesma forma em conversa exclusiva com o Estado, em Interlagos, explicou que as pessoas irão inevitavelmente comparar os tempos registrados no GP de Abu Dabi, há menos de uma semana, com o que serão obtidos pelos mesmos pilotos, carros e equipes na mesma pista hoje e amanhã, mas com pneus diferentes.

 A temperatura do ambiente esperada é de 34 graus e a do asfalto, cerca de 50 graus. Ainda com pneus Bridgestone, terça e quarta-feira as equipes realizaram testes com jovens pilotos e os tempos registrados foram, na maioria, bem melhores que os obtidos pelos titulares no fim de semana do GP. A pista estava mais rápida. Por isso os tempos de hoje e amanhã terão pouca representatividade.

 “Se estamos mais lentos ou velozes que o fornecedor anterior é o que menos nos preocupa. Cada equipe terá oito jogos de pneus por dia, quatro do tipo médio e quatro do macio. Para nós o que importa é saber como se comportam os compostos que definimos depois de 7 mil quilômetros de testes.” A Pirelli utilizou o carro de Fórmula 1 da Toyota do ano passado para os experimentos.

Hembery quer dizer: se os pneus macios apresentam maior autonomia que os Bridgestone, se os médios estão muito duros ou muito moles. E a partir daí modificá-los e testá-los nos seus treinos particulares, a fim de estarem prontos nos testes dos modelos de 2011 das escuderias, em fevereiro, nos circuitos de Valência, Jerez de la Frontera, Barcelona e, mais tarde, Bahrein.

 A orientação de Bernie Ecclestone, assumida pela Pirelli, é clara: “Pediu que nos inspirássemos no que aconteceu no GP do Canadá, este ano, quando os pneus supermacios tinham autonomia bastante reduzida, 6, 7, 8 voltas apenas. Ecclestone quer melhorar o espetáculo promovendo vários pit stops. Atenderemos dentro do possível. Mas em alguns circuitos, em que não treinamos, por exemplo, poderemos oferecer um pneu de alta durabilidade, por segurança e para mostrar que também sabemos produzir pneus resistentes e que nossos pneus, na Fórmula 1, estão durando pouco porque atendemos a um pedido de colaborar com o show”, explica Hembery.

 “Para os engenheiros trata-se de um grande desafio de engenharia. A Fórmula 1 em 2011 selecionará a equipe que melhor reagir entre entender como funcionam os pneus Pirelli e mais bem adaptar seu carro, praticamente pronto já, no fim de novembro, a eles”, afirma Newey. E prevê: “Teremos surpresas.”

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