Como a Ferrari, McLaren explora em extremos conceito do difusor duplo. Confusão à vista.

liviooricchio

29 de janeiro de 2010 | 16h59

29/I/10
Livio Oricchio, de Nice, França

O cenário já foi montado e os atores fazem, nos camarins, os retoques finais na maquiagem. Está tudo pronto para o início de mais um espetáculo polêmico. E começará antes da hora, na pré-temporada, não da abertura do Mundial, dia 14 de março no circuito de Sakhir, em Bahrein.

Como a Ferrari, quinta-feira, a direção da McLaren escondeu na apresentação do modelo MP4/25, ontem em Newbury, Inglaterra, o conjunto traseiro do carro, onde está o duplo difusor. Já não há mais dúvidas de que a segunda geração dos carros com esse recurso aerodinâmico vai gerar acusações de algumas equipes. Provavelmente ações legais também.

Diferentemente dos engenheiros da Ferrari, os da McLaren abriram o jogo, ontem, embora ninguém pôde fotografar a traseira do novo monoposto: “Todo ano enfrentamos novos desafios de engenharia na Fórmula 1. Esta temporada não é exceção e concebemos um projeto que explora o conceito do duplo difusor”, afirmou Martin Whitmarsh, diretor da McLaren.

Se depois de dois lançamentos o tema já esquentou, deverá alimentar tensas discussões em breve. Será o primeiro teste do novo presidente da FIA, Jean Todt, que terá de deixar muito mais claro do que o texto técnico especifica a respeito do que é permitido e proibido no difusor duplo. E com certeza agradar alguns times e desagradar outros.

Esse recurso aerodinâmico consiste em duplicar a porção final do assoalho, o que eleva a velocidade de escoamento do ar sob o carro, conferindo-lhe maior equilíbrio nas freadas, velocidade nas curvas, redução de consumo de pneus e freios, dentre outras vantagens. Ar mais rápido embaixo do carro significa menor pressão aerodinâmica sob o assoalho e maior pressão em cima de todo o veículo, daí as facilidades de condução e economia descritas. “Acredito que vamos ver soluções extremas para o conceito do duplo difusor”, afirmou, ontem, Paddy Lowe, diretor de engenharia da McLaren.

O modelo MP4/25 é o primeiro da McLaren depois da saída da Mercedes da sociedade, no fim do ano passado, iniciada ainda em 1995, ainda que os alemães continuem fornecendo-lhe o seu eficiente motor. O projeto adota também concepção aerodinâmica pouco comum na tomada de ar para o motor, conectando-a com o aerofólio traseiro. “É tudo novo no MP4/25 e eu participei do projeto”, afirmou Lewis Hamilton, campeão com a equipe em 2008.

Seu companheiro, o atual campeão do mundo, Jenson Button, que trocou a Brawn GP, agora Mercedes, pela McLaren, disse: “Nunca estive tão animado para o campeonato.” Em conversa com amigos nunca escondeu: competir pela McLaren sempre foi seu sonho profissional.Mas terá em Hamilton um concorrente duríssimo, ainda que a proibição de reabastecer de combustível tenda a favorecer pilotos técnicos, como Button.

A partir de segunda-feira a Ferrari F10 e a McLaren MP4/25, junto da nova Mercedes, de Michael Schumacher, Williams, Rubens Barrichello, Renault, Robert Kubica, Toro Rosso, Sebastien Buemi, e Sauber, Kamui Zobayashi, vão começar no circuito Ricardo Tormo, em Valência, os primeiros testes do ano. Renault e Sauber apresentam seu modelo 2010 amanhã, na mesma pista, e segunda-feira, Mercedes e Toro Rosso.

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