Como deverá começar o campeonato

liviooricchio

21 de fevereiro de 2008 | 21h35

21/II/08

O que primeiro me veio à mente, hoje, quinta-feira, diante do que se passou no Circuito da Catalunha, foi o desempenho da Ferrari. Como escrevi antes, desejava ver a performance do modelo F2008 nas pistas dotadas de curvas velozes. Até agora, a Ferrari havia treinado em Jerez de la Frontera, Valência e no traçado de Sakhir, em Bahrein. Em nenhum deles há curvas rápidas e longas.

Como Nicolas Tombazis e Aldo Costa encurtaram a distância entre-eixos, ficou no ar o que o eficiente F2008 poderia fazer nos circuitos mais velozes. Hoje tivemos a resposta: trata-se, realmente, de um belo projeto, capaz de permitir a Felipe Massa e Kimi Raikkonen serem muito rápidos.

Massa registrou 1min22s213 na simulação de corrida, quarto tempo do dia. No total, Massa completou 95 voltas. Luca Badoer, piloto de testes, 102, com 1min22s535 na melhor, oitavo. Segundo Jonathan Noble, do site da revista Autosport, o ritmo da Ferrari nos long runs, série seguinda de voltas, é o mais eficiente.

O mais veloz do dia foi o japonês Kazuki Nakajima, da Williams, 1min22s153 (32 voltas). Ele conseguiu o tempo na última volta da série de apenas três e ainda no fim do treino, quando em geral, em razão da queda da temperatura, a pista se torna mais rápida. De qualquer forma, tanto Nakajima é mais do que normalmente se atribui aos japoneses como o modelo FW30-Toyota da Williams vai bem além dos seus últimos carros.

A dupla da McLaren marcou seus tempos na última volta de uma série de cinco, o que denota que seus carros não estavam com elevado volume de combustível e poderia, eventualmente, explicar aterem ficado à frente da Ferrari de Massa.

De novo a Red Bull demonstrou que seu modelo RB04 parece ser bem mais confiável que o monoposto do ano passado. Não avançou demais em termos de velocidade, mas dá a entender que deverá terminar bem mais corridas que em 2007, seu ponto fraco.

Hoje Mark Webber deu 102 voltas e David Coulthard, 102. O GP da Espanha, disputado no mesmo circuito de 4.655 metros, é disputado em 65 voltas. Ambos completaram bem mais que a distância de uma prova e não enfrentaram dificuldades. É mesmo um bom indício. E seus tempos são respeitáveis: 1min22s477 para Webber, sexto, e 1min22s499 para Coulthard, sétimo.

Fernando Alonso não estava brincando quando afirmou que o modelo R28 da Renault é algo perto de um segundo mais lento que a Ferrari. Pode não ser tudo isso, mas os franceses estão ainda um pouco longe. Não apenas pelo nono tempo de hoje, 1min22s657 (61) e 1min23s286 (104) de Nelsinho, 11º, mas por tudo o que vimos na pré-temporada até agora.

Eu também não compreendo o entusiasmo de Jarno Trulli com o modelo TF108 da Toyota. Hoje, seu companheiro, Timo Glock, completou 109 voltas com 1min22s901 na melhor, décimo.

A Honda não treinou porque Ross Brawn e os projetistas do RA108, Jorg Zander e Louic Bigois, trabalham, na Inglaterra, nas modificação que serão testadas por Rubens Barrichello e Jenson Button a partir de segunda-feira, em Barcelona também, junto das demais equipes, exceto a Super Aguri, cujo proprietário, Aguri Suzuki, define com a direção da Honda sua sobrevivência na competição.

Diante dos ensaios realizados até hoje, restando apenas os três dias da próxima semana antes do embarque dos carros para o GP da Austrália, vamos tentar traçar uma relação de forças na Fórmula 1?

Parece ser consenso: a Ferrari está na frente. Não sabemos com precisão se também na condição de classificação, mas na de corrida Massa e Raikkonen vão dispor do melhor conjunto no início do campeonato.

A seguir, ficou claro, vem a McLaren com seu MP4/23. Não sei, fiquei com a impressão de ter até mais velocidade em uma volta lançada em relação à Ferrari, embora ao longo de séries seguidas sua performance não acompanha os italianos, apesar de estarem bem próximos. E essa diferença, em corrida, dá sinais de ser maior do que a imposta pela Ferrari à equipe inglesa em pistas em que o desempenho de ambas se equiparavam.

Nesta quinta-feira a BMW treinou em Valência, sozinha, mas segunda-feira irá confrontar seu F1.08 com a concorrência no Circuito da Catalunha. Alonso falou bem do carro alemão, notadamente nos long runs. Li que Willi Rampf, diretor-técnico, com quem converso regularmente nos autódromos, está satisfeito com o ritmo de corrida, como destacou Alonso, mas não de classificação.

De qualquer forma, agora nos testes finais sugere ter retomado leve vantagem para o grupo seguinte de equipes. E esse grupo proporcionará a melhor disputa da Fórmula 1 nas etapas iniciais do calendário. A Williams pode até, de repente, seguir a BMW bem de perto nas provas. Apostaria que até na sua frente, dependendo da posição de largada.

A Red Bull demonstra vir a seguir. Apesar do taleto de Alonso, existe leve vantagem para a Red Bull nessa briga. Red Bull e Renault ocuparão espaços bem próximos no começo do ano. Na sequência, estão Toyota eToro Rosso, enquanto mais para trás vêm Spyker e Honda. Como a Super Aguri não fez praticamente pré-temporada e seu carro ainda é o de 2007, deve iniciar a competição em último lugar.

Não tenho bola de crital e nenhuma pretensão de dar a entender ser capaz de antecipar o futuro, mas tomando por base os 10 ou 15 mil quilômetros percorridos pelas equipes nos ensaios, exceto a Super Aguri, e usando o raciocínio lógico, projetei como penso que a Fórmula 1 deverá ser ao menos na Austrália, Malásia e em Bahrein.

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