Como será a Fórmula 1 sem Schumacher?

liviooricchio

25 de agosto de 2006 | 20h55

Reportagem de F-1: Como será quando Schumacher parar?
GP da Turquia
Livio Oricchio, de Istambul

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Michael Schumacher ainda não anunciou o que fará da vida quando o campeonato acabar. Vai parar de correr, como garantiu Flavio Briatore, diretor-geral da Renault, e quem o lançou de verdade na Fórmula 1, em 1991, ou estenderá seu contrato com a Ferrari por mais uma temporada? Como a maioria dos que trabalham na Fórmula 1 aposta que o alemão sete vezes campeão do mundo irá se retirar das pistas, já há comentários sobre como ficará a competição sem ele, o maior vencedor de todos os tempos.
Hoje, indeferente ao que pensam dele. Schumacher procurará estabelecer a pole position do GP da Turquia, em Istambul, para, amanhã, na corrida, tentar reduzir a diferença de 10 pontos que o separa do líder na classificação, Fernando Alonso, da Renault.
Todos os entrevistados afirmam que a Fórmula 1 perderá o show de um dos maiores talentos que já surgiram no automobilismo, mas, ao mesmo tempo, o Mundial existia antes de Schumacher e continuará existindo quando ele passar a dedicar mais tempo a sua família. “Ayrton Senna, que era um piloto muito mais carismático de Schumacher, morreu e a Fórmula 1 prosseguiu seu curso. Será assim também quando eu deixar de existir”, afirma Bernie Ecclestone, o promotor do evento.
“Novos Schumacher vão surgir. Fernando Alonso é o melhor exemplo. É um ciclo, uns dão lugar aos outros. Tenho profunda admiração por ele, mas vejo Alonso como representante de uma geração mais avançada, mais completa”, diz Flavio Briatore. O diretor de engenharia do time francês, Pat Symonds, ex-técnico de pista de Schumacher na época da Benetton, concorda: “Jim Clark e Niki Lauda também deixaram a Fórmula 1, por terem se acidentado ou espontaneamente, eram pilotos excepcionais, e o evento prosseguiu.”
Os fãs exclusivos de Schumacher, os que apenas se interessam pelo que ele faz, representam um universo pequeno na Fórmula 1, lembra Steve Nielsen, diretor-esportivo da Renault, outro profissional que trabalhou com Schumacher. “Esses, ou ainda parte deles, devem, ao menos de início, deixar de ir ao autódromo ou assistir às corrida pela TV, mas são poucos.” No geral, a eventual saída de Schumacher da competição não trará consequência alguma para o andamento da disputa, defende.
Os colegas de Schumacher mudaram muito sua postura depois do ocorrido este ano em Mônaco. No final do treino classificatório, o piloto da Ferrari simulou um erro, atravessou o carro na pista a fim de impedir de Fernando Alonso, da Renault, e Kimi Raikkonen, McLaren, melhorarem seus tempos. “Nas nossas reuniões, antes ele falava e todos prestavam atenção. Era a palavra de um campeão e piloto experiente. Hoje, quando ele fala nós nem mesmo prestamos atenção”, explicou Ricardo Zonta, piloto de testes da Toyota e membro da Associação dos Pilotos de GP – GPDA. Schumacher perdeu a moral dentro da classe. “Se Michael parar? Outros virão. Ah, a Fórmula 1 será mais honesta”, afirma Pedro de la Rosa, piloto da McLaren.
Depois de Schumacher agir deliberadamente em Mõnaco, Pedro de la Rosa disse que se ele continuasse à frente da GPDA, deixaria a associação. Foi o que fez. Rubens Barrichello, seu companheiro na Ferrari de 2000 até ano passado, comentou: “A gente perdeu o Ayrton e a Fórmula 1, infelizmente, não mudou, sem o Schumacher é que nada vai se alterar mesmo.” Jacques Laffite é um piloto da antiga, Correu de 1974 a 1986 e venceu seis vezes. “Michael Schumacher não é a Fórmula 1. É apenas parte da Fórmula 1, como eram Lauda, Prost e Senna.”
FIM

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