Como viabilizar a presença de um fiscal espanhol dentro da McLaren

liviooricchio

17 de outubro de 2007 | 21h28

17/X/07
GP do Brasil
Livio Oricchio

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O diretor de corrida e delegado de segurança da FIA, Charlie Whiting, irá vistoriar hoje, às 11 horas, o autódromo de Interlagos. Mas nem mesmo o recapeamento total da pista o levou a percorrê-la ontem. Permaneceu a maior parte do tempo fechado no primeiro andar da torre. Motivo: está estudando como a FIA pode atender o pedido da Federação Espanhola de Automobilismo (FEA) de manter dentro dos boxes da McLaren um fiscal.

Os espanhóis temem que Lewis Hamilton, inglês como a McLaren, possa ser favorecido na luta pelo título contra Fernando Alonso, da Espanha. A corrida de Interlagos, domingo, decide o título de campeão do mundo. Hamilton tem 107 pontos e Alonso, 103.

Os responsáveis pela reforma do circuito estavam até um pouco ansiosos em expor ao dirigente inglês o belo trabalho realizado. Na realidade, Whiting deu uma volta rápida da pista, ontem, enquanto os mecânicos concluíam nos boxes a montagem dos carros que amanhã irão para a pista.

No final, Whiting sinalizou ao chefe de engenharia da organização, Luis Ernesto Morales, ter apreciado o serviço. Apenas hoje irá acompanhar de perto e em detalhes o novo piso do traçado de 4.309 metros.

Max Mosley, presidente da FIA, encarregou Whiting de uma tarefa bem mais complexa: estabelecer os limites de ação de um fiscal espanhol dentro das dependências da McLaren. Se há pressão da FEA sobre a FIA, existe também da diretoria da McLaren e da Mercedes, sócia na equipe.

Ron Dennis, da McLaren, e Norbert Haug, da Mercedes, já deixaram claro a Mosley, semana passada, ainda na Europa, que não irão aceitar ingerências externas dentro da escuderia. Assim como parece válida a preocupação dos espanhóis, a argumentação de Dennis e Haug é procedente da mesma forma.

Questionaram a Whiting: “Já imaginou o tal do fiscal ficar ali do lado do mecânico, querendo saber se ele colocou mesmo 50 quilos de gasolina no tanque do Alonso ou se a pressão no pneu é de 18 libras como no carro de Lewis?”

Whiting, que foi mecânico da Brabham na época de Nelson Piquet, tem embasamento técnico para tentar junto dos funcionários da McLaren estabelecer os limites de ação do fiscal espanhol, que por sua vez também possui formação técnica capaz de lhe permitir compreender o que
se está fazendo.

O fato é que em vez de dar sequência a sua rotina de inspecionar o autódromo, Whiting manteve-se, ontem, ouvindo explicações dos dois lados, o inglês e o espanhol. Tudo que se arrasta por detrás da disputa entre Hamilton e Alonso ganhou dimensão bem maior que a concorrência árdua entre ambos na pista, recapitulando, num certo sentido, a guerra entre as duas nações pelo domínio do comércio naval no Atlântico no fim do século XV, tal o passionalismo envolvido no “conflito”, em especial das suas imprensas.

Hoje Hamilton, Alonso e o outro candidato ao título, Kimi Raikkonen, da Ferrari, com 100 pontos, darão uma entrevista coletiva no circuito a partir das 11 horas. O que se espera é que o clima tenso gerado pelos defensores de Hamilton e Alonso não se estenda para dentro da pista. Correndo a 300 km/h pode ser perigoso.

FIM

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