Corrida maluca. É a nova Fórmula 1.

liviooricchio

16 de março de 2008 | 08h34

16/III/08
GP da Austrália
Livio Oricchio, de Melbourne

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O que há em comum entre o GP do Canadá e do Japão, em 2007, e o da esperada abertura do Mundial, ontem na Austrália? Foram as três provas mais tumultuadas dos últimos anos na Fórmula 1. Mas há um outro ponto que une as três corridas: o vencedor foi um só, o jovem talentoso inglês Lewis Hamilton, da McLaren. “Começar o campeonato dessa forma, vencendo, é uma sensação fantástica, sinto-me bem mais preparado que em 2007”, afirmou o vice-campeão do mundo que será sempre lembrado pela incrível perda do título ano passado.

O safety car entrou três vezes na pista. Toques entre pilotos, acusações, abandonos, escapadas de pista, equívocos dos mecânicos e acidentes. Tudo em profusão diante de um público superior a 100 mil pessoas, aturdidas com o calor de 37 graus. Esse foi o cenário, ontem, ao longo das 58 voltas no circuito Albert Park, em Melbourne. “Sim, parte dessa confusão toda pode ser creditada às novas regras”, disse Hamilton. A proibição de recursos como o controle de tração, o auxílio freio-motor e o sistema automático de largada deixou os carros mais difíceis de serem pilotados, o que aumentou as possibilidades de os pilotos errarem, conforme ficou provado ontem.

Enquanto Hamilton celebrava a quinta vitória na carreira de 19 GPs e a liderança do campeonato, a Ferrari recolhia os cacos de seu desastroso fim de semana. Deu tudo errado para a escuderia campeã em 2007. Para começar seus pilotos deveriam fazer um curso de reciclagem. Felipe Massa rodou sozinho, na segunda curva em seguida à largada, quando era quarto, e o campeão Kimi Raikkonen pareceu um estreante, ao ir para a brita em suas ocasiões. Mas os dois abandonaram com motor quebrado. Ocorre que aconteceu tanta coisa no GP da Austrália que mesmo assim Raikkonen terminou em oitavo.

A exemplo de Hamilton, o alemão Nick Heidfeld, da BMW, outro piloto mais cerebral, costuma se dar bem em competições cheias de alternativas como a corrida de Melbourne. Acabou em segundo, como já fora em Montreal, em 2007. “Tivemos um início de preparação bastante difícil este ano, mas os rapazes da equipe realizaram um trabalho excepcional para melhorar o carro. Temos de reconhecer, porém, que ainda estamos atrás da McLaren e da Ferrari.”

O paddock do circuito estava mais festivo, ontem, com a volta da Williams ao pódio. Outro representante da geração jovem da Fórmula 1, Nico Rosberg, confirmou as imensas potencialidades do modelo FW30-Toyota da organização de Sir Frank Williams ao levá-lo ao terceiro lugar, primeiro pódio do filho de Keke Rosberg, campeão do mundo de 1982. Ao deixar o carro e encontrar com Hamilton, os dois se abraçaram e pularam agarrados.

“Não comemorava um pódio com Hamilton desde nossos tempos no kart pela equipe MBM (Mercedes-Benz McLaren)”, disse o eufórico Nico. “Nós disputamos o Campeonato Europeu, o Mundial, viajamos juntos, tínhamos 14, 15 anos, e pensávamos um dia estar aqui na Fórmula 1, no pódio, como agora”, falou, rindo, Hamilton. A convincente terceira colocação de Nico o levou a afirmar: “Tivemos o pior início possível, sexta-feira, com eu e meu companheiro (Kazuki Nakajima) parados nos boxes. Mas depois o carro confirmou o que esperávamos. Acho que terei um bom ano na Fórmula 1”.

E quando a prova é seletiva dos mais capazes, a figura do piloto mais completo hoje da competição não poderia ficar de fora. Fernando Alonso, da Renault, conseguiu o quarto lugar, depois de largar em 11º. No braço. “Tiramos o máximo que dava hoje. Esse resultado é importante para nosso grupo, um incentivo, mas temos muito o que fazer ainda para tornar nosso carro melhor na classificação e na corrida”, falou o espanhol.

Seu parceiro, o estreante Nelsinho Piquet, abandonou na 30ª volta por quebra do câmbio. Não esteve bem no fim de semana, ao contrário de Rubens Barrichello, Honda, sexto, mas desclassificado por não respeitar o sinal vermelho na saída de box. Domingo será disputada a segunda etapa do calendário, o GP da Malásia, com temperaturas tórridas semelhantes às de ontem, mas com cerca de 70% de umidade em vez de apenas 11%, como em Melbourne.

FIM

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