Corridas decisivas para Massa e Bruno

liviooricchio

20 de agosto de 2012 | 10h55

20/VIII/12

Livio Oricchio, de Nice

Amigos, esse é o texto original de minha coluna na edição desta segunda-feira do Jornal da Tarde.

A maioria dos profissionais das 12 equipes da Fórmula 1 reinicia suas atividades hoje, depois de duas semanas de férias obrigatórias. Há muito por ser feito já para a próxima etapa do calendário, dia 2, no espetacular, veloz e seletivo circuito Spa-Francorchamps, onde será disputado o GP da Bélgica, 12.ª etapa do campeonato. Mais do que em outros anos, qualquer detalhe capaz de oferecer um, dois décimos de segundo de velocidade faz enorme diferença. Depois de Spa restarão apenas mais oito provas para o encerramento da temporada. A corrida de Interlagos é a última, dia 25 de novembro.

Quando os chefes de equipe julgam o trabalho de um piloto, levam em consideração, claro, todo o período de atividade no grupo, mas é bem verdade que na Fórmula 1, como muitos pilotos costumam dizer, “você vale tanto quanto o seu último resultado”. Converso regularmente com Mika Salo, ex-piloto e comentarista da TV finlandesa. Em 1999, substituiu Michael Schumacher, na Ferrari, acidentado em Silverstone. “Na segunda prova, em Hockenheim, poderia ter vencido, mas facilitei para Eddie Irvine (companheiro de Ferrari) ganhar por estar na luta pelo título”, disse-me Salo.

“Poucos dias após Hockenheim eu já estava empregado para disputar o campeonato seguinte. A Sauber me procurou e acertamos tudo.” Vale recordar que Salo estava fora da Fórmula 1 naquele ano, 1999. Só voltou para substituir Ricardo Zonta, na BAR, por causa do acidente em Interlagos, segunda prova do ano, e na sequência ninguém menos de Schumacher. E bastou um trabalho marcante no time italiano, como o realizado no GP da Alemanha, para garantir uma vaga de titular em 2000.

Conto essa história para a melhor compreensão do momento dos dois pilotos brasileiros na Fórmula 1. Tanto Stefano Domenicali, diretor da Ferrari, quanto Frank Williams, da Williams, não decidiram, ainda, provavelmente, o futuro dos dois. Esperavam melhores resultados deles, verdade, depois de 11 etapas disputadas. Têm, agora, a oportunidade derradeira. Mas Massa e Bruno não vão dispor das nove corridas que restam para mostrar a Domenicali e Williams que vale a pena mantê-los nas suas equipes em 2013.

Ambos possuem poucas etapas, nessa fase final do processo de escolha, para provar sua capacidade, talvez no máximo quatro, se tanto, o que torna os GPs da Bélgica, Itália, de Cingapura e do Japão decisivos para o seu futuro. Tudo isso partindo-se da premissa de que nesses dias de férias Domenicali não aprofundou as conversas com Kimi Raikkonen, Nico Hulkenberg, da Force India, e Sergio Perez, Sauber, pilotos do seu interesse, e a negociação não se definiu. Se foi o caso, a Ferrari deve anunciar o contratado em Monza.

No tocante a Bruno a pressa é menor. Se deixar a Williams o substituto é conhecido: Valtteri Bottas, jovem talentoso finlandês, atual campeão da GP3 e já piloto do time inglês, pois participa dos treinos livres de sexta-feira de manhã com o carro de Bruno. A Williams aposta no seu futuro. Dickie Stanford, chefe de operações, elogia Bottas a todo instante: “Ele me impressiona”.

A boa notícia para Massa e Bruno, caso Ferrari e Williams não tenham batido ainda o martelo ainda sobre quem os defenderá em 2013, como se imagina, é a importância das próximas etapas. Por aquele fenômeno descrito com o exemplo de Salo, se Massa e Bruno impressionarem numa dessas corridas seguintes do calendário podem garantir mais um ano de contrato. E o Brasil a permanência de representantes na Fórmula 1.

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