Dá para compreender a razão de o grupo Magma não desejar mais comprar a Super Aguri

liviooricchio

17 de abril de 2008 | 17h55

18/IV/08

A maioria do pessoal que acompanha o noticiário da Fórmula 1 viu, ontem, que a Super Aguri pode não disputar já as próximas etapas do campeonato se a Honda não bancar as despesas mínimas de manutenção da equipe. O grupo Magma desistiu do negócio.

Cheguei a ver no paddock de Sepang o pessoal que, diziam, já teria definido a aquisição da equipe. De repente leio no site da Autosport, ontem, que o negócio deu para trás. Há outros interessados, diz o sempre solícito Aguri Suzuki, que tem um avô francês, sabia?

O que há por detrás da decisão de Martin Leach, principal dirigente do grupo Magma, de rever o projeto de investir na Fórmula 1? Desconheço detalhes do caso, mas dá para afirmar que a impossibilidade de a Super Aguri utilizar o carro da Honda deve estar dentre as maiores causas do desestímulo de tornar-se proprietário do time.

Acho que foi em Spa, ano passado. David Richards conversava conosco, jornalistas, como um cidadão qualquer, sem protocolo ou policiamentos. Sinto sua falta como diretor da Honda. Os japoneses, talvez ainda mais. Ele nos dizia da inviabilidade de seguir adiante com seu projeto de Fórmula 1 sem o apoio da Mercedes e da McLaren.

Richards se definiu como “idealista”. Não demonstrou frutração por deixar de lado o desejo de ter sua própria escuderia de Fórmula 1. Alegou não ser possível para ele, apesar de dispor da estrutura da Prodrive, conceber, construir e manter o desenvolvimento de um carro de Fórmula 1. “Sem envolvimento direto de uma montadora, esquece. Veja Frank Williams”, sugeriu.

O inglês é um admirador de Frank Williams. E não se conforma em ver o dono da melhor equipe dos ano 90 fora da disputa pelas melhores colocações. “Se com o que ele tem não dá para sonhar com vitórias, com a minha estrutura o que farei?”, propôs Richards.

Fazia pouco tempo que os responsáveis pelas escuderias haviam rejeitado a proposta de Bernie Ecclestone e Max Mosley de permitirem a um time competir com o carro de outra, como fazem a Toro Rosso com a Red Bull e a Super Aguri com a Honda e por isso a Force India mantém ação contra a Red Bull. O regulamento exige que cada time construa seu carro.

“A Fórmula 1 tornou-se um negócio para gigantes”, afirmou Richards. “Como eu posso competir contra a Mercedes, a BMW, Honda, Toyota?” O inglês fala assim conosco, sem os tradicionais formalismos da Fórmula 1.

Dá para compreender melhor, agora, as razões de o grupo Magma definir-se por não comprar a Super Aguri? É provável que na hora que puseram na ponta do lápis o quanto necessitavam investir, a coisa tenha ficado feia. Para começar: o time precisa de um túnel de vento compatível com a realidade técnica da Fórmula 1. E não custa menos de US$ 50 milhões.

E como todos dizem na Fórmula 1, o mais caro nem é construir, mas fazer funcionar, manter três turnos de técnicos em regime de 8 horas de trabalho 7 dias por semana. Fora todo o restante. Repare que é bem diferente de receber um carro pronto, como faria Richards com a McLaren-Mercedes.

Como Martin Leach e David Richards não representam montadoras, torna-se quase impossível sonhar em montar uma organização vencedora na Fórmula 1. Teriam de recorrer a todos os recursos de que dispõem para se tudo desse muito certo mesmo pensar em marcar ponto em uma ou outra corrida. O que, convenhamos, é pouco para quem não vai investir menos de US$ 200 milhões no primeiro ano, no mínimo.

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