De Jerez de la Frontera a Brasília, via Madrid.

liviooricchio

09 de fevereiro de 2013 | 11h04

Olá amigos!

Madrid
Sábado, 11h35, encontro-me no aeroporto de Madrid, aguardando o embarque para Zurique com a minha companhia preferida, Swiss, junto da Singapore Airlines. E de Zurique, claro, para casa, Nice. Faz três meses que saí de lá. Passei novembro, dezembro, este de férias, e parte de janeiro no Brasil. Durante a pré-temporada e o campeonato da Fórmula 1 Nice é a minha base, há quatro anos.

É um ponto estratégico. Posso ir de carro ao GP da Itália, em Monza, três horas de viagem, ao da Espanha, em Barcelona, seis horas, Mônaco, obviamente, por ser do lado de Nice. Costumo ir de trem, meia hora. Quando preciso voar, os deslocamentos são pequenos para as corridas na Europa. Muito cômodo.

Em geral me desloco até Zurique, aeroporto extraordinário, onde absolutamente tudo funciona com perfeição, para não dizer da elegância de suas soluções, e de lá para onde tenho de estar. Experimente e você me entenderá melhor. Verá em que categoria se enquadra essa irresponsabilidade chamada Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos.

Mas não me surpreende. Se Renan Calheiros é presidente do Senado, a classe política que o elegeu não se sensibilizou com a rejeição da nação, a quem deveria representar, e nós não fazemos nada, o que esperar? Sinto-me responsável também por essa inconsequência, nefasta para o bem dos brasileiros.

Renan e seu colega, Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara, indivíduo da mesma estirpe que reúne o que há de pior no ser humano, deveriam receber uma lição radical dos cidadãos de bem do País, com certeza a grande maioria, bem como das instituições, capaz de servir de exemplo inequívoco para todos que, supostamente, estão lá para defender os interesses mais elevados do povo.

Infelizmente não há mobilização como seria necessária no Brasil. A história está aí para demonstrar seus benefícios. E o próprio judiciário e a imprensa não levam tão a fundo a questão como deveriam, refletir de verdade o anseio da nação. O que está em jogo é o seu futuro. Montar uma rede de investigação, deve haver de tudo no histórico desses dois cânceres, e ambos nem são inteligentes para saber fazê-lo. Perseverar na contundência do ataque, não arrefecer nunca, fazer disso uma razão de existir. O judiciário agilizar todos os processos, também interessado em fazer o que nem sempre faz: justiça.

Chegaria-se a um ponto que a situação ficaria insustentável e celebraríamos o fim não apenas de dois indivíduos virulentos ao extremo, mas o início de um processo que visa a extirpar um grupo (imenso) que tanto caracteriza a classe política, para haver maior compatibilidade entre o rumo que o Brasil está tomando – o mundo o observa com respeito – e os homens que pensam a nação. Seria uma oportunidade para começar essa limpeza, fundamental para uma nova realidade estabelecer-se no País.

Mas isso talvez seja sonhar demais. Até nossa querida líder, Dilma Rousseff, que tão bem executa suas funções, corajosa por natureza ao enfrentar gangs estabelecidas há anos no poder e apenas se servir dele, cumprimentou os dois novos presidentes, provavelmente recriminando-os na sua essência, mas consciente de sua importância como base de sustentação do governo no Congresso. “Tenho de pagar esse preço altíssimo para governar”, apostaria que deve estar pensando. Seu DNA, seu passado de idealista e de isenção nos leva a acreditar nisso.

Comecei escrevendo para lhes contar detalhes desses quatro dias extraordinários no autódromo de Jerez de la Frontera, acompanhando os primeiros testes da Fórmula 1 em 2013, para falar de coisas interessantes que não escrevi, ainda, e enveredei por falar, imagine, de Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves.

Devo estar louco. Depois de tanto prazer ao lado da velocidade, tanto conhecimento adquirido, de repente permanecer nesse orbital espiritual raso desses inescrupulosos faz até mal.

Trocaria sem hesitar um segundo a cobertura da temporada por participar de um movimento forte, bem estruturado, consciente, respaldado por instituições sérias, vigilante da atividade da classe política, onde a caça a esses dois criminosos representasse somente o primeiro laço de uma corda ávida por ser útil a 180 milhões de homens de fé, merecedores da verdade.

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