Decidido: Schumacher continuará comandando a Ferrari

liviooricchio

11 Janeiro 2007 | 15h29

Michael Schumacher foi um dos maiores responsáveis pela Ferrari tornar-se, como ele próprio, a maior vencedora de todos os tempos na Fórmula 1. Em Interlagos, ano passado, disputou sua última corrida na competição. Mas hoje em Madonna di Campiglio, na Itália, o novo diretor-técnico da Ferrari, Mario Almondo, deixou claro que o piloto alemão, sete vezes campeão do mundo, continua mandando muito na equipe italiana: “Ele colaborou de forma decisiva na definição da nova organização da Ferrari.”

E sua nova função na escuderia já está acertada: “Estamos trabalhando para Michael dispor de todos os recursos possíveis para ele acompanhar, em tempo real, tudo o que realizamos nos testes e nos GPs, caso não esteja presente fisicamente.” Nas provas em que for, Almondo explicou: “Vai estar na mureta dos boxes, conectado com o rádio e participará das reuniões dos pilotos com os engenheiros.” Nos próximos dias Almondo e o novo diretor-esportivo, Stefano Domenicali, irão se reunir com Schumacher para dar sequência à definição de suas novas atividades.

Resumo da história: os pilotos titulares da Ferrari este ano são Felipe Massa e Kimi Raikkonen. Mas quem vai estar por trás das decisões técnicas e esportivas mais importantes será Michael Schumacher. “Ele é um patrimônio do grupo, não pode ser desprezado. Ter a nossa disposição sua competência, conhecimento e experiência será fundamental”, explicou Domenicali. Nesse organograma, Jean Todt passa a ser o delegado administrativo, cargo abaixo apenas do presidente, Luca di Montezemolo.

É isso mesmo: a Ferrari irá instalar computadores e um sistema de captação de dados, via rádio, na casa de Schumacher, na Suíça, para que ele receba os dados sobre o comportamento do carro nos testes e nos fins de semana de corrida. Praticamente o mesmo raio X de suas reações a disposição de Massa e Raikkonen será disponibilizado a Schumacher que, a distância, irá sugerir o que fazer para tornar o modelo 2007 mais veloz. Tudo isso nos GPs em que ele próprio não estiver lá, ditando os rumos de sua ex-escuderia.

Até por uma questão de respeito à dupla de pilotos atual, Domenicali afirmou, hoje, não existirem planos para Schumacher pilotar, ao menos agora, a nova Ferrari. “Neste instante não está previsto.” Ontem Raikkonen defendeu a importância de Schumacher avaliá-lo: “Ele conhece muito bem o carro do ano passado e poderá nos dar uma idéia do quanto o novo evoluiu”, explicou. Até o embarque da equipe para a abertura da temporada, dia 18 de março na Austrália, serão 19 dias de testes com o modelo a ser lançado, domingo, na sede da Ferrari, em Maranello.

Já não existiam mais dúvidas sobre a ausência de hierarquia entre Massa e Raikkonen, mas hoje Domenicali expôs como a coisa vai funcionar na prática: “Os dois irão largar do mesmo lugar. Ambos desejam nos mostrar o que são capazes. Então, o carro reserva será acertado alternadamente para cada um nos GPs.” Domenicali deu mais detalhes: “Depois, em algum ponto do campeonato vamos ver quem tem mais chances de vencer e a estratégia o privilegiará, como parar depois no primeiro pit stop das corridas.”

Conclui o tema de forma a não deixar nada no ar de uma vez por todas: “O que fizerem na pista determinará essa relação.” Novos tempos mesmo para a Ferrari que, desde a chegada de Schumacher, em 1996, concentrou no alemão a maior parte de suas atenções. O papel que era de Ross Brawn na definição das estratégias, fundamentais na Fórmula 1 moderna, estará a cargo do ex-chefe dos engenheiros de pista, Luca Baldisseri, que na prática já trabalhava com Brawn nessa função.

Como não poderia deixar de ser, a dupla de novos dirigentes da Ferrari comentou sobre o carro que será apresentado domingo: “Inovador, representa uma evolução de cada área do modelo de 2006, mas concebido de acordo com a interpretação do regulamento nos seus limites, o que não fazíamos antes”, adiantou Almondo. A nova Ferrari ainda não tem nome, mas sabe-se que terá um novo câmbio, menor do anterior, nova versão de motor, projetado para os próximos três anos sem desenvolvimento, como manda, agora, o regulamento, e uma nova aerodinâmica.

Nicolas Tombazis, engenheiro que regressou à equipe – estava na McLaren – definiu com Aldo Costa, coordenador do projeto, uma frente um pouco mais elevada, posição distinta para o piloto, em que ficará mais deitado, e laterais mais baixas. A suspensão dianteira se assemelha à da Renault, vencedora dos dois últimos mundiais. É com esse monoposto que Massa e Raikkonen irão tentar manter a Ferrari no nível em que Schumacher colaborou decisivamente para atingir. Com uma mãozinha do alemão, que se diga.