Derrota humilhante da Ferrari

liviooricchio

23 de maio de 2011 | 10h25

23/V/11

Livio Oricchio, de Barcelona

  O desempenho da Ferrari, ontem no GP da Espanha, entrou para a antologia da Fórmula 1. Fernando Alonso saltou da quarta colocação no grid, depois de uma volta artística na classificação, sábado, para a liderança, ao ultrapassar espetacularmente Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e Mark Webber na largada. Com os pneus macios, manteve-se na frente até o primeiro pit stop, na 10.ª volta, e o segundo, na 19.ª. “Mas ao colocar os pneus duros, passei a ser dois e até três segundos mais lentos que Sebastian e Lewis”, disse, olhando para os jornalistas e desejando dizer “o que eu podia fazer?”.

 Perdeu tanto rendimento que na 63.ª volta de um total de 66 levou uma volta dos quatro primeiros colocados. Recebeu a bandeirada em quinto. Sem que nada de anormal ocorresse com o carro. Com três dos quatro (a exceção foi Jenson Button) lutou para permanecer na liderança até a 19.ª volta. O que sente um piloto nessa hora? “Satisfação”, respondeu. Como viu que não foi bem compreendido, completou: “Satisfação por me manter na frente deles com o carro que eu tinha”.

  O chefe da equipe, Stefano Domenicali, hoje contestado por ser um ser humano extraordinário, mas talvez não o líder enérgico que a situação da Ferrari exige, estava abatido: “Dói levar uma volta de nossos adversários. Numa pista onde o que mais conta é a pressão aerodinâmica, expusemos, hoje, nossas deficiências”, explicou.

  “A falta de pressão aerodinâmica nos torna lentos, nos obriga a fazer os pit stops antes, por conta de os pneus se desgastarem mais, é frustrante”, falou Alonso, assistido por apenas 78 mil pessoas no Circuito da Catalunha, ontem. Quadro bem distinto do de 2006, quando 150 mil torcedores foram à loucura com sua vitória com a Renault. O asturiano evitou criticar a Pirelli, por causa dos pneus duros demais. “É melhor não comentar. Mas a que eles servem?”, questionou.

  O asturiano falou mais: “Vamos ter um carro muito diferente no GP do Canadá e nas próximas três etapas os pneus serão os supermacios e macios, com os quais, em corrida, somos velozes”. Impressiona o eterno otimismo de Alonso. “Não vamos desistir nunca. No ano passado nos colocavam fora da disputa pelo título enquanto na etapa final éramos nós os virtuais campeões.”

  É provável que Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, já tenha, depois das cinco etapas realizadas, um raio X de sua organização e o que precisa ser revisto para 2012. A crise que já se estabeleceu com o resultado humilhante de ontem levará a mudanças significativas nas áreas administrativa e técnica. Isso se não atingir Felipe Massa, apesar da declaração de Montezemolo, há uma semana, lembrado o seu contrato com a escuderia para 2012. A diferença de desempenho entre os dois pilotos está muito grande.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.