Desafio maior de Vettel, agora, passa a ser emocional

liviooricchio

20 de novembro de 2012 | 21h28

20/XI/12

Livio Oricchio, de São Paulo

Amigos, sugiro entrar no site oficial da Fórmula 1: www.formula1.com

Logo no homepage, à direita, há a previsão do tempo para o fim de semana do GP do Brasil, em Interlagos. Senhores, a France Meteo não deixa nenhuma dúvida: vai chover domingo durante a corrida. E a classificação, sábado, também deve ser disputada com asfalto molhado.

Uma coisa é a prova ser realizada em condições normais, asfalto seco. Sebastian Vettel teria as dificuldades naturais de receber a bandeirada em quatro lugar, nem tão grandes, podemos dizer. Com o seu talento, maturidade, e eficiência da Red Bull e do modelo RB8-Renault, convenhamos, não é complexo.

Outra bem diferente, porém, é disputar o grid no molhado e as 71 voltas do GP do Brasil sob chuva, ora mais ora menos intensa. Nessas condições o número de variáveis que interfere no resultado final aumenta de forma considerável. Em outras palavras, as possibilidades de algo dar errado nessa tarefa relativamente simples de receber a bandeirada em quarto lugar, independentemente do que fizer Fernando Alonso, da Ferrari, para conquistar o tricampeonato, aumentam bastante.

Os carros e os equipamentos começaram a chegar hoje em Interlagos, mas desde já, confirmada a previsão do serviço oficial de meteorologia da Fórmula 1, o GP Brasil passa a ser encarado de outra maneira pela Red Bull, em especial. O franco atirador é Alonso, a Ferrari, atrás na classificação, 270 a 263. Quem tem mais a perder com a variação do clima e suas severas implicações é quem dispõe dos melhores recursos, de quem se espera que dê sequência à série de conquistas.

De repente, se chover mesmo, Vettel supera tudo e ganha até com um pé nas costas. Tem capacidade para isso. E o título ficaria em grandes mãos. Mas podemos ter, sim, uma grande surpresa também no GP do Brasil, ou seja, Alonso campeão pela terceira vez em Interlagos, muito em função de o espanhol ter um histórico de aproveitar-se bem da loteria em que se transforma a prova, como vimos, por exemplo, este ano, no GP da Malásia, em condições semelhantes às previstas para São Paulo.

O desafio maior para Vettel desde já deixa de ser técnico. Mas emocional. Saber que provavelmente enfrentará condições não estáveis, cheias de armadilhas, exigirá profunda frieza do alemão, desde o primeiro momento em Interlagos. Para a probabilidade de não se perder não avançar ainda mais.

Acredito que Christian Horner trabalhará principalmente esse aspecto na preparação de seu notável piloto, o emocional. Até porque se for apenas uma questão técnica, Vettel chegar em quarto espera aí também, né? O alemão sobra na pista!

Abraços.

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