Desta vez a culpa não é da Ferrari

liviooricchio

11 de julho de 2011 | 18h34

11/VII/11

Livio Oricchio, de Nice

  Boa parte das pessoas que se interessam por Fórmula 1 está dizendo, hoje, que a vitória da Ferrari, ontem em Silverstone, tem sabor de derrota. Teria sido obtida com o fim do escapamento aerodinâmico, imposto pela FIA, recurso que a Red Bull, por competência de seus técnicos, domina melhor de todos. E a Ferrari seria a mentora da iniciativa. Historicamente a equipe italiana sempre teve mesmo força política, mas desta vez o grupo coordenado por Stefano Domenicali tem responsabilidade menor do imaginado nesse episódio.

  A FIA passou a acompanhar mais de perto o uso do escapamento como elemento para gerar maior pressão aerodinâmica depois das primeiras etapas da temporada. Curiosamente, desde o ano passado os times o incorporam em seus carros. Ficou no ar a forte suspeita de desejar vetá-lo para diminuir a vantagem técnica de Sebastian Vettel e Mark Webber e, com isso, estender a definição do título para as provas finais do calendário.

  Depois do que aconteceu em Silverstone, Domenicali compreendeu os imensos benefícios de se proibir o escapamento aerodinâmico. Sem ele, a Red Bull perde mais desempenho do que todos pensavam. Somada ao extraordinário avanço do modelo 150 Itália da Ferrari, e as condições da corrida, explicam a vitória de Fernando Alonso, domingo.

   A direção da Ferrari até ontem vivia esse dilema. Assinar o documento que garante a volta do escapamento aerodinâmico, e a possível volta do domínio da Red Bull, ou enfrentar a opinião pública mundial e vetar o uso novamente do recurso, o que lhe permitiria até sonhar, quem sabe, em lutar pelo título.

  Mas, originalmente, não foi a Ferrari que procurou a FIA e ameaçou protestar contra o uso do escapamento aerodinâmico. Foram duas outras escuderias, a Williams e a Hispania, que competem com motor Cosworth, sem recursos financeiros para desenvolver o sistema. A Hispania teme que a Red Bull seja tão veloz nas classificações que comprometa sua presença nas corridas por causa da obrigação de estabelecer 107% do tempo do pole position, no mínimo, para largar.

  A Ferrari desta vez pegou o bonde andando. Na quinta-feira, em Valência, quando se sabia que o escapamento aerodinâmico seria proibido a partir de Silverstone, Adrian Newey, diretor-técnico da Red Bull, em conversa exclusiva com o Estado, não incluiu a Ferrari dentre as organizações que foram procurar a FIA. Desta vez os italianos não têm culpa.

  Agora, no entanto, se aproveitam da situação porque depende, essencialmente deles, a volta da liberação a partir da próxima etapa, o GP da Alemanha, dia 24. São os únicos que faltam para fechar a unanimidade exigida pela FIA. Tudo indica que esse será o desfecho da história, mas ainda não está sacramentado.

  Para o bem de valores como ética, seriedade, respeito ao bom trabalho dos concorrentes, seria importante a Ferrari concordar com a volta do escapamento aerodinâmico. Mas, como deu a entender Domenicali, domingo, sua empresa não pode ser acusada de tentar mudar as regras.

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