Di Grassi conquista pódio inédito para o Brasil nas 24 Horas de Le Mans

liviooricchio

23 de junho de 2013 | 18h27

23/VI/13
São Paulo

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Os dois pilotos brasileiros que disputaram a edição que celebrou os 90 anos das 24 Horas de Le Mans, encerrada neste domingo, na França, viveram emoções opostas. Na sua estreia na difícil e perigosa competição, Lucas Di Grassi, da equipe oficial da Audi, comemorou a excelente terceira colocação na classificação geral e na principal categoria, a LMP1, enquanto Bruno Senna teve muito o que lamentar.

Primeiro a morte de um dos integrantes do seu time, Aston Martin, o dinamarquês Allan Simonsen, ainda no início da corrida. E depois o fato de abandonar a prova após liderar a maior parte do tempo na sua categoria, GTE-PRO.

A vitória ficou com os experientes e capazes Tom Kristensen, da Dinamarca, o escocês Alan McNish e o francês Loic Duval, da Audi também. Foi a nona vez que Kristensen venceu. Recorde absoluto. Ele dedicou a conquista ao seu conterrâneo, Simonsen, falecido.

“Foi uma das corridas mais difíceis da minha vida”, disse Di Grassi, responsável pelo primeiro pódio para o Brasil na conceituada competição. “Não há nada igual a esse pódio de Le Mans, estou muito feliz. Por ser uma estreia está bom, mas quero agora brigar pela vitória, me dedicar ainda mais.”

Di Grassi tem contrato com a Audi apenas para, daqui para a frente, trabalhar no desenvolvimento do carro da Audi, mas seu desempenho impressionou a direção da montadora alemã, a ponto de o brasileiro começar a prova. O trio de Di Grassi largou em segundo no grid. Os outros dois pilotos do seu carro foram o espanhol Marc Gene e o inglês Oliver Jarvis.

“Parabéns Lucas di Grassi, primeira vez em Le Mans um brasileiro no pódio. Pena que o carro do Bruno Senna bateu. Parabéns, Bruno, você estava ótimo. Espero vocês dia 1.º de setembro nas 6 Horas de São Paulo”, escreveu Emerson Fittipaldi, promotor da etapa brasileira do campeonato, o Mundial de Endurance, na sua página no Facebook.

Disputar a mais famosa corrida do mundo de carros de turismo representou uma experiência extraordinária, comentou Di Grassi. O acidente fatal de Simonsen ocorreu ainda na quarta volta, enquanto Di Grassi pilotava. “Eles não me disseram nada pelo rádio. Deu para ver pelo tempo que o safety car ficou na pista que era algo grave, mas só vim a saber depois de parar nos boxes.”

Até mesmo a equipe Aston Martin manteve-se na prova porque a família do piloto falecido, presente no autódromo, solicitou ao chefe da escuderia, David Richards, para não abandonar o evento. “Nos lideramos 19 horas e vencer seria uma ótima homenagem ao Allan”, falou Bruno. “Infelizmente não tivemos como continuar na corrida.”

O francês Fred Makowiecki, seu companheiro, bateu o Aston Martin. “O mais importante é que o Fred está bem. Quanto a se acidentar, faz parte, ele queria abrir uma diferença maior para o carro da Porsche, atrás de nós, e errou. Poderia ser comigo ou com o Rob Bell (o outro piloto do seu time).”

O próprio Bruno levou também um susto. Seu turno era de impressionantes quatro horas. “Passei por situações difíceis várias vezes. Perdi, por exemplo, quatro ou cinco voltas atrás de um carro bem mais lento nas curvas, mas mais veloz nas retas.”

Em outro momento da competição quase teve de abandonar. “Eu tinha um furo de pneu, daqueles que perde pressão lentamente. E de repente o pneu abaixou. Fui para a área de escape da curva e pude regressar aos boxes.”

A corrida 24 Horas de Le Mans é famosa também por ser pródiga em acidentes graves, muitos fatais, como o de sábado. O que primeiro chama a atenção é a enorme diferença de desempenho entre as várias categorias. Na LMP1 estão os mais rápidos, Audi e Toyota, por exemplo. A Toyota ficou em segundo na geral, hoje, com Anthony Davidson, Sebastien Buemi e Stephane Sarrazin, uma volta atrás dos vencedores.

Outras categorias são a LMGTE- AM e LMGTE-PRO, onde concorrem carros de produção, como Porsche, Aston Martin, Ferrari e Covette.

Di Grassi comentou sobre a segurança: “Essa pista é realmente perigosa, em especial porque a média horária é alta, 250 km/h. Há pontos bem perigosos e dá para melhorar facilmente. Com chuva se torna ainda pior. E há a questão dos adversários bem mais lentos”.

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