Dia constrangedor para a equipe Renault

liviooricchio

24 de setembro de 2009 | 18h52

24/IX/09
GP de Cingapura
Livio Oricchio, de Cingapura

É provável que hoje, quando começarem os treinos livres do GP de Cingapura, a expressão dos integrantes da Renault mude e a equipe consiga entrar no clima do evento, fase final do campeonato. Ontem, porém, o profundo desgaste com as notícias dos últimos dias se refletia diretamente na face dos pilotos, técnicos e dirigentes. Para completar o drama, o banco holandês ING e a seguradora espanhola Mutua Madrilena, patrocinadores, anunciaram a rescisão de seus contratos.

Fernando Alonso, piloto da Renault, procurou evitar perguntas sobre a decisão da FIA de banir Flavio Briatore, diretor geral, e suspender a equipe por dois anos, com direito a sursis, por causa da fabricação da vitória na edição do ano passado do GP de Cingapura. “O que aconteceu já está no passado. O que interessa agora é o presente e o futuro.” Mas diante da insistência de alguns jornalistas, Alonso interrompeu a entrevista de língua espanhola, levantou e foi embora sem dizer mais nada. Seu companheiro, Romain Grosjean, teve uma indisposição estomacal, precisou ir ao hospital e Lucas Di Grassi, piloto reserva, pode substituí-lo.

Quando Alonso e Grosjean, ou Di Grassi, deixarem os boxes hoje, a partir das 7 horas de Brasília, 18 horas em Cingapura, seus carros não mais terão as marcas ING e Mutua Madrilena. As empresas solicitaram a sua retirada depois de interromperem o patrocínio. Alegando que a imagem deixada pela Renault com a decisão de dois irresponsáveis, Briatore, e o diretor de engenharia, Pat Symonds, bem como um piloto inconsequente, Nelsinho Piquet, não condiz com os valores que elas pretendem propagar. Os três concordaram em provocar um acidente para Alonso vencer a corrida.

Bob Bell, diretor-técnico, agora também o principal dirigente da Renault, não conversou com a imprensa, para evitar novos constrangimentos e por assumir inúmeras outras tarefas na equipe. A reprovação dos colegas de Nelsinho a sua decisão de bater de propósito foi unânime, apesar do cuidado da classe para abordar o assunto. E pilotos como Robert Kubica, hoje na BMW mas provável substituto de Alonso, ano que vem, prestes a se transferir para a Ferrari, bem como Nico Rosberg, Williams, questionaram a imunidade dada a Nelsinho.

A Renault não depende de patrocinadores para continuar com o projeto de Fórmula 1, mas não deixa de afetar seu orçamento perder uma empresa como o banco ING, seu principal patrocinador, cujo investimento anual é estimado em € 25 milhões (cerca de R$ 65 milhões). A Mutua Madrilena, que acompanha Alonso, coloca na escuderia, acredita-se, € 4 milhões (R$ 10 milhões). Mais prejudicial ainda para a montadora é ver a opinião pública saber que foi por uma atitude antidesportiva de três dos seus integrantes, portanto justa causa, que as duas empresas rescindiram o contrato.

Na entrevista em inglês, antes da destinada à imprensa espanhola, Alonso estendeu um pouco mais a conversa e já havia ameaçado não responder mais nada se o assunto fosse o que cerca o GP de Cingapura de 2008. Comentou: “Nossa equipe passa por momento difícil. Temos, agora, de olhar para a frente, nos concentrarmos nesta corrida, depois no GP do Japão, a vida continua, a hora é de tentarmos bons resultados de novo”. Finalmente falou de se futuro: “Felizmente em breve tudo estará resolvido”.

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