Dificilmente McLaren receberá punição severa demais. Mas briga FIA x Fota deve esquentar.

liviooricchio

28 de abril de 2009 | 12h18

28/IV/09
Livio Oricchio, de Frankfurt

O Conselho Mundial da FIA não se limitará a julgar a McLaren, hoje (quarta-feira), em Paris. Max Mosley, presidente da FIA, deve aproveitar o encontro para homologar a limitação orçamentária das equipes, estabelecida por ele em 30 milhões de libras por temporada (cerca de 90 milhões), já a partir do ano que vem. Os times são frontalmente contra e haverá reação da sua associação, a Fota.

Pouca gente acredita que a McLaren receberá uma pena severa demais por seu piloto, Lewis Hamilton, e o ex-diretor esportivo, Dave Ryan, terem mentido aos comissários do GP da Austrália, na abertura do Mundial. Já domingo no paddock do circuito de Sakhir, em Bahrein, falava-se que a McLaren dificilmente seria suspensa por mais de uma etapa do calendário.

Assim, se a previsão de vários integrantes da Fórmula 1 se confirmar, Hamilton e seu companheiro, Heikki Kovalainen, não disputariam o GP da Espanha, dia 10, em Barcelona. Acreditava-se, também, na última corrida, que Hamilton e Kovalainen podem perder os 13 pontos conquistados para si (9 e 4) e para a McLaren no Mundial de Construtores. Uma nova multa parece provável, mas bem menos pesada que os U$ 100 milhões de 2007, por espionar a Ferrari.

Antes de embarcar para Barcelona, ontem, Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, comentou sobre o que deve ocorrer hoje em Paris e o que espera da Mercedes, sócia da McLaren. “Se houver alguma punição tenho certeza de que será justa e a Mercedes a apoiará”, afirmou. A montadora alemã ameaça deixar a competição se for excluída do restante do campeonato. “Não acredito que eles deixariam a Fórmula 1 porque alguém fez algo errado e foi punido. Eles (membros do conselho da FIA) vão ser muito justos”, disse Ecclestone.

O dirigente viajou ontem para a Catalunha para acompanhar seu time de coração, o Chelsea, que enfrentou o Barcelona pelas semifinais da Copa dos Campeões no Camp Nou. Ecclestone almoçou com a imprensa local e não abordou a questão da ameaça de o GP da Espanha não ser realizado por causa da gripe suína. Foram constatados dois casos na Catalunha.

“Ecclestone apenas comentou que a Fórmula 1 precisaria ter um Leonel Messi também”, contou o correspondente do El País em Barcelona, Manel Serras. As vendas para a prova no Circuito da Catalunha estão baixas, apenas 60 mil ingressos, por enquanto, diante de 123 mil em 2008. A fase de poucos resultados do ídolo nacional, Fernando Alonso, da Renault, contribui para o pouco interesse pelo GP da Espanha.

Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari e da Fota, afirmou em Bahrein que a paciência da entidade que dirige com a postura de Max Mosley é grande, “mas não é infinita”. A Fota pediu um tempo maior para responder a Mosley qual a sua proposta de limite orçamentário. O presidente da FIA, no entanto, se colocar hoje em votação seu projeto de 30 milhões de libras (os salários dos pilotos e as atividades promocionais estão fora dessa conta), acabará conseguindo sua homologação. As dez equipes associadas na Fota concordam em estabelecer um teto de investimento, mas em outras bases, bem mais elevadas. A guerra vai esquentar desta vez.

“O pior é que Max deseja implantar um campeonato com regras diferentes para as equipes, o que é um absurdo e claramente não aceitaremos”, afirmou Flavio Briatore, da Renault, em Bahrein. Por Mosley, quem aceitar o limite orçamentário de 30 milhões de libras poderá correr com mais giros no motor, realizar avanços aerodinâmicos ao longo do ano e não terá restrições de treinos. Ou seja, tudo o que seu projeto proíbe para quem não acatar a restrição de investimento. A Fota pode romper definitivamente com a FIA.

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