Dilúvio faz campeonato pegar fogo

liviooricchio

22 de julho de 2007 | 17h48

22/VII/07
GP da Europa
Livio Oricchio, de Nurburg, Alemanha

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O bate-boca violento entre Fernando Alonso, da McLaren, o vencedor do GP da Europa, ontem, e Felipe Massa, Ferrari, segundo colocado, deu o tom do que foi a corrida mais emocionante do campeonato até agora. Aconteceu de tudo, como os dois realizarem quatro pit stops. Começou com pista seca, mas ainda na primeira volta caiu um dilúvio no circuito de Nurburgring, a ponto de paralisar a prova. O asfalto secou a seguir para, no fim, voltar a chover. “Eu não acredito, esse resultado é o que de melhor poderia ocorrer para mim na classificação”, disse o bicampeão do mundo, Alonso, fora de si de tão feliz.

E é isso mesmo: a água que inundou o traçado alemão fez a disputa pegar fogo. Lewis Hamilton, companheiro de Alonso, foi autorizado a largar apesar do grave acidente sofrido sábado, mas não marcou pontos. Mantém-se em primeiro no campeonato, mas agora apenas dois pontos à frente de Alonso, 70 a 68. Massa encostou nos dois, com 59. “Se tivesse de apostar não colocaria um centavo em nenhum dos quatro pilotos nas sete etapas que restam, todo resultado é possível”, falou o espanhol. Já Kimi Raikkonen, companheiro de Massa, ficou um pouco para trás, com 52 pontos, ao abandonar com pane hidráulica.

“Segundo lugar amargo”, definiu Massa. “Foi tudo muito complicado do início ao fim. A possibilidade de vencer era grande, carro na mão, abrindo a diferença para Alonso a cada volta até que, de repente, veio a chuva”, falou. Curiosamente, tanto na primeita volta quanto depois de a corrida ser reiniciada, o ritmo de Massa no piso molhado era muito bom.

“O problema é que o jogo de pneus de chuva colocado no carro, no final, passou a gerar uma vibração tão intensa que não pude mais me manter veloz”, explicou Massa, inconformado por perder a prova. “O Alonso estava bem mais rápido.” O piloto da McLaren o ultrapassou quando faltavam apenas quatro voltas para a bandeirada, sob chuva. Até lá, depois de uma largada espetacular, Massa praticamente liderou o tempo todo, seu cometer um único erro em condições de extrema dificuldade. “De qualquer forma, esse segundo lugar me leva de volta à luta pelo título, o campeonato está aberto”, afirmou.

Quando as câmaras focalizaram o líder do GP da Europa, depois de no fim da primeira volta vários pilotos entrarem nos boxes para substituir os pneus de asfalto seco pelos de chuva, a sala de imprensa e provavelmente milhões de pessoas no mundo todo riram. Era Markus Winkelhock, alemão, estreante, e o mais lento em todos os treinos em Nurburgring. “Quero agradecer meu time (Spyker) por me permitir largar já com pneus de chuva intensa.” Foi o único que arriscou e deu-se muito bem. “Liderar já na primeira vez que se está na Fórmula 1 é uma conquista que ninguém irá tirar de você, para o resto da vida”, comentou o piloto que sabe que não deverá continuar na Spyker.

No início da terceira volta, quando o volume de água tornou-se irreal para uma competição de automóveis, sete pilotos seguiram reto na freada na curva 1, no fim da reta: Jenson Button, Honda, Adrian Sutil, Spyker, Nico Rosberg, Williams, Scott Speed e Vitantonio Liuzzi, Toro Rosso, Anthony Davidson, Super Aguri, e Lewis Hamilton, McLaren. Os dois últimos conseguiram retornar à corrida. Hamilton depois de ser içado pelo guindaste. Permaneceu no cockpit, com o motor funcionando. O australiano Mark Webber, da Red Bull, completou o pódio na terceira colocação, enquanto o valente Alexander Wurz, da Williams, foi quarto e Rubens Barrichello, profundamente irritado com o carro da Honda, 11º.

FIM

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