Diretor da lotus sente, agora, que tem a vantagem para renovar com Raikkonen

liviooricchio

20 de agosto de 2013 | 14h00

20/VIII/13
Nice

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Eric Boulliler, diretor da Lotus, sabe que ficou numa posição de vantagem nas negociações com Kimi Raikkonen depois de o empresário do piloto, o inglês Steve Robertson, afirmar que as portas na Red Bull se fecharam. Robertson tentou não expor o flanco aberto ao fazer questão de dizer que a situação não o preocupava porque tinha “opções, no plural”, para Raikkonen.

Na Fórmula 1 a definição do futuro profissional de talentos como o finlandês segue os mesmos caminhos de um jogo de xadrez. Nesta terça-feira Boullier aproveitou o momento favorável e afirmou para a imprensa, sabendo que Robertson leria imediatamente: “Todos sabem quão capaz é Kimi. Tem nos orientado, também, para chegarmos onde queremos. Desejamos mantê-lo na escuderia, para ser honesto, mas nas condições certas”.

Até Robertson não declarar que Raikkonen não seria o companheiro de Sebastian Vettel, o diretor da Lotus em nenhum instante deixou qualquer dúvida no ar sobre a permanência do seu líder no projeto de levar a equipe a ser campeã. O discurso desta terça-feira revela que Boullier tem quase certeza de que a Ferrari não lhe ofereceu nenhum contrato. E como Mercedes e McLaren já conhecem seus pilotos, Raikkonen não teria escolha a não ser ficar onde está, na Lotus.

Mais que isso: receberá o mais que merecido aumento salarial, como já adiantou ao time, mas Boullier não comprometerá o orçamento da Lotus. “Se não pudermos contar com Kimi por razões financeiras, então não o quero conosco porque ele não se sentiria feliz, e assim não é possível construir nada.”

O jogo virou a favor da Lotus. O que não quer dizer que amanhã não possa voltar a ser favorável a Raikkonen e Robertson. Basta ser verdadeira a outra opção de equipe garantida pelo empresário. E seria a Ferrari. Essa hipótese, contudo, diante do histórico dos companheiros de Fernando Alonso, sugere ser pouco procedente.

Quem acredita que o espanhol concordaria em ter o mesmo tratamento de Raikkonen na Ferrari? Ele próprio passaria a produzir menos. É o tipo de piloto que necessita do grupo gravitando ao seu redor para responder com o máximo. Nessas condições é brilhante. Obviamente tudo é possível, mas seria surpreendente a Ferrari afrontar Alonso.

Em resumo, Boullier aposta que Raikkonen, componente essencial para a Lotus se tornar vencedora, está sem saída. É uma aposta, verdade, não uma certeza. E já avisou Robertson que está disposto a ceder em muitas das exigências do piloto para renovar o contrato, mas nada que fuja a sua realidade.

Importante: se Helmut Marko, o conselheiro, com grandes poderes, do proprietário da Red Bull, Dietrich Mateschitz, não tivesse vetado Raikkonen, o quadro seria bem distinto.

O mesmo Boullier que hoje já adiantou que não pagará ao finlandês um salário do nível de Alonso na Ferrari, ou seja, 25 milhões de euros por temporada (R$ 75 milhões), se reuniria às pressas com o dono da Lotus, Gerhard Lopez, de Luxemburgo, para estudar mecanismos de conseguir o dinheiro exigido por Robertson, estimado em 12 milhões de euros (R$ 36 milhões) por ano, mais participação em metas atingidas.

É a posição de vantagem de Boullier, apoiada na tese de que Raikkonen não irá para a Red Bull, Mercedes, McLaren e provavelmente a Ferrari, que o faz mexer as peças de outra maneira. Por exemplo já informando Robertson que Raikkonen é mais que bem vindo, porém também nas condições da Lotus, não apenas suas.

O circuito de Spa-Francorchamps, onde será disputado no próximo fim de semana o GP da Bélgica, 11.º do calendário, será o tabuleiro para novos lances dos dois lados, de Robertson e Boullier.

Raikkonen no máximo perguntará a Robertson, no fim da tarde, se há alguma novidade. Vai estar concentrado na realização de um grande trabalho, como de hábito, a fim de reduzir a diferença que o separa do líder do Mundial, Vettel. O piloto da Lotus soma 134 pontos enquanto o tricampeão do mundo, 172. Alonso vem a seguir, com 133.

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