Dois brasileiros amigos no pódio. Bem possível.

liviooricchio

26 de março de 2009 | 21h26

27/III/09
GP da Austrália

Não faz tanto tempo assim que o Brasil teve dois pilotos no pódio: GP da Alemanha do ano passado. Nelsinho Piquet, da Renault, foi segundo e Felipe Massa, Ferrari, terceiro. Antes disso, porém, é preciso recuar até o GP da Bélgica de 1991, quando Ayrton Senna, com McLaren, venceu e Nelson Piquet, Benetton, foi terceiro. Este ano, porém, as chances de os amigos Felipe Massa, da Ferrari, e Rubens Barrichello, Brawn, fazerem a festa juntos no pódio são boas.

“Tenho carro para isso. Seria bem legal, vou ensinar para o Felipe a sambadinha no pódio. Mas dentro da pista não tem essa, buscamos os mesmos objetivos”, falou Rubinho. “Nós estamos sempre juntos, quando possível, seria muito legal para o Brasil”, comentou Massa. “No passado isso não foi possível porque quando ele tinha um bom carro, na Ferrari, eu na Sauber não possuía”, explicou Massa. “E depois, ao passar para a Ferrari, o Rubinho foi para a Honda, que não andou o que ele esperava. Este ano, eu na Ferrari e ele na Brawn, pelo que vimos nos testes, podemos mesmo de nos classificar entre os primeiros.”

E já na próxima madrugada, das 3 às 4 horas, hora de Brasília, Massa e Rubinho vão travar o primeiro duelo da temporada, na sessão que definirá o grid do GP da Austrália no circuito Albert Park, em Melbourne. Nos treinos livres de ontem não se pode dizer que houve uma disputa porque essa não era sua preocupação, como será na luta pela pole position que, pelo visto, ambos podem conquistá-la.

Os dois evitam abordar questões políticas, tão em evidência hoje na Fórmula 1 com a verdadeira guerra entre a associação das equipes, Fota, e a união Fia, do presidente Max Mosley, com a FOM, de Bernie Ecclestone. Ontem, por exemplo, os representantes das escuderias se reuniram no circuito australiano para cuidar de um assunto bastante sério: estudar maneiras de apoiar Ron Dennis, da McLaren, e Flavio Briatore, da Renault, a cobrar o combinado com Ecclestone para estender o Acordo da Concórdia, conjunto de normas que estabelece, dentre outras coisas, o quanto cabe a cada time na divisão do arrecadado pela FOM.

Os fãs da Fórmula 1 estiveram muito próximos de assistir a um protesto grave: boicote aos treinos. A Fia e a FOM não acataram a proposta da Fota de definição do campeão e impôs ainda o congelamento de orçamento para 2010, por saber que a Fota é frontalmente contra. Agora, então, é a vez de a Fota mostrar sua força. A solidariedade a Dennis e Briatores com o boicote aos treinos estava quase acertada, mas revista em razão de já existir o protesto contra a Brawn, Toyota e Williams, pelo difusor, o que acabaria por deixar a torcida sem saber o que pensar antes mesmo de o campeonato começar.

Massa e Rubinho voltaram a comentar sobre como poderá ser a relação de ambos diante da perspectiva de poderem disputar os primeiros lugares. “O Felipe é muito verdadeiro. Disse que não posso mais perguntar as coisas para ele, como quanta gasolina tem, mas já respondeu que não tem essa, não vai mudar por podermos brigar lá na frente”, falou Rubinho.

“Estou feliz com o fim da história e ver o Rubinho na Brawn com chance de lutar pelas vitórias”, comentou Massa. “Já havia dito que achava errado ele correr atrás de patrocinadores para correr numa equipe sem chance de obter resultado, o Rubinho fez história na Fórmula 1.”

Os dois não escondem certa ansiedade com relação às 58 voltas da corrida, amanhã, às 3 horas de Brasília. “Vamos ver quem é quem, o que cada time pode de verdade produzir, as condições são as mesmas para todos”, lembrou Massa, com 105 GPs, 11 vitórias e 15 pole positions. Rubinho é o mais veterano de todos, com 268 GPs, 9 vitórias e 13 poles.