Dois pesos e duas medidas

liviooricchio

29 de maio de 2011 | 19h49

29/V/11

Amigos, essa é minha coluna no Jornal da Tarde nessa segunda-feira.

Livio Oricchio, de Mônaco

  Sou fã confesso de Lewis Hamilton. Corre sempre com a faca entre os dentes. Não hesita em assumir riscos. Parte para cima, o instinto de ultrapassar corre solto nas veias. Mas, por vezes, como ontem, se excede. E conta com a condescendência dos comissários para não ser punido, em total oposição ao que afirmou aos quatro cantos aqui em Mônaco, de onde escrevo.

  Ele já havia recebido um drive through pelo acidente com Felipe Massa. E, na mesma prova, outra punição ao lhe acrescentarem 20 segundos ao tempo de prova por literalmente colocar Pastor Maldonado para fora da corrida. Como tinha vantagem maior para o sétimo colocado, Adrian Sutil, o crime ficou sem punição. Continuou em sexto.

  Estou com Massa nesse aspecto: a pena foi, para usar a mesma expressão de Hamilton, ontem, “ridícula”. O inglês a usou para qualificar o comportamento dos comissários, que o chamaram para explicações em cinco das seis etapas realizadas.

  Senhores, Hamilton já havia recebido uma advertência em Barcelona por não reduzir a velocidade sob bandeira amarela, esteve perto de ser desclassificado. Ontem, segundo os próprios comissários, foi o responsável pelo choque com Massa. E na mesma prova recebeu outra punição pelo acidente com Maldonado.

  Se isso não é motivo para uma punição, pois os 20 segundos representaram nada, o que é capaz de gerar, por exemplo, no mínimo, a perda de dez colocações no grid na corrida seguinte? Que Hamilton continue a oferecer espetáculo e mostrar seu dotes de grande piloto, sim, mas não em prejuízo dos adversários, como claramente foi o caso ontem.

   Tem mesmo razão, Hamilton, dois pesos e duas medidas. Mas a seu favor.

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