Domenicali aposta na recuperação de Massa

liviooricchio

12 de janeiro de 2011 | 14h37

12/I/11

Livio Oricchio, de Madonna di Campiglio, Itália

  Para quem pensa que a Ferrari já estabeleceu que Fernando Alonso será o seu responsável para lutar pelo título de pilotos e Felipe Massa apenas para ajudar na conquista do Mundial de Construtores, Stefano Domenicali, diretor da equipe, respondeu, ontem, em Madonna di Campiglio, na Itália: “Esperamos ver, este ano, Felipe mais perto de Fernando ou mesmo melhor. Sabemos que sofreu com problemas técnicos no ano passado (pneus Bridgestone muito duros)”, disse. “Depois do teste com os pneus Pirelli, no entanto, vi outra expressão no rosto de Felipe. Garanto que nunca esteve tão motivado.”

  O campeonato não vai começar dia 13 de março, em Bahrein, como terminou o do ano passado, em que Alonso estabeleceu ampla vantagem sobre Massa: 252 pontos, segundo colocado, diante de 144 e o sexto lugar do brasileiro. “Conversei com Felipe, como também falei com outros integrantes do time. Precisamos aprender com os erros e esquecer o ano passado”, comentou Domenicali. Na prova de Abu Dabi, última do calendário, por um grave equívoco estratégico do time, Alonso perdeu o título quando sua vantagem na classificação sobre Sebastian Vettel, o campeão, era grande.

  “Falei de uma maneira construtiva com Felipe. Ele sabe que terá uma temporada importante pela frente. Confio que, a exemplo de outras situações em que esteve sob imensa pressão e reagiu muito bem, fará o mesmo agora”, disse Domenicali. A verdade é que outro campeonato de Massa com poucos resultados em relação a Alonso coloca seu futuro na escuderia em xeque. “É errado dizer algo agora”, afirmou Domenicali.” Voltou a lembrar como Massa consegue reverter situações bastante adversas.

  Hoje Massa e Alonso conversam com os jornalistas. Até agora, apenas esquiaram e participaram de ações promocionais na 21.ª edição do Wroom, evento que reúne integrantes da Ferrari e representantes da imprensa internacional nos Alpes italianos.

  O que chama a atenção é que não existe mais entre os dois pilotos da Ferrari o mesmo clima de amizade do ano passado. Os jornalistas almoçam e jantam com os dois, nos mesmos restaurantes, e podem ver de perto que ambos praticamente não se falam embora sejam corteses quando conversam. Há respeito mútuo, como não poderia deixar de ser, mas não vai além disso. Dia 28, os dois vão estar em Maranello, no lançamento oficial do modelo 2011 da Ferrari.

  A grande estrela, este ano, em Madonna di Campiglio, é o carismático Valetino Rossi, nove vezes campeão do mundo, contratado pela Ducati da MotoGP, patrocinada pela Philip Morris, como a Ferrari. E por isso as duas equipes estão juntas na elegante estação de esqui. Nunca os Carabinieri, polícia italiana, estiveram no evento, nem no auge da era Michael Schumacher na Ferrari, em 2004. Com Rossi os Carabinieri garantem a segurança de todos nos locais públicos, tal a atenção que desperta em todos. Literalmente ofuscou Alonso e Massa.

  Ontem, Rossi e a Ducati apresentaram, no Wroom, em meio a  muita neve, o modelo Desmosedici, que o italiano e seu companheiro, o norte-americano Nicky Hayden, vão pilotar para tentar vencer o espanhol Jorge Lorenzo, da Yamaha, atual campeão, e o australiano Casey Stoner e o espanhol Dani Pedrosa, da Honda, entre outros adversários.

 Rossi comentou sobre o arrojado projeto da Ducati: “A moto é um protótipo, concebida para corrida. Já a Yamaha e a Honda representam modelos de série modificados para competir.” A Ducati fará testes em Jerez de la Frontera, na Espanha, de 17 a 19, e depois participará do treino coletivo da MotoGP, na Malásia, na primeira semana de fevereiro.

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