É a grande chance de Bruno

liviooricchio

25 de agosto de 2011 | 06h11

25/VIII/11

Livio Oricchio, de Spa

  Da decisão, tardia, por compreensíveis razões, de tornar-se piloto, há apenas seis anos, até hoje, a oportunidade de disputar o GP da Bélgica, pela equipe Renault, representa a melhor oportunidade na carreira de Bruno Senna. O anúncio oficial foi feito ontem no fim da tarde, horário europeu: “O acordo final, que permitiu a Bruno correr conosco em Spa-Francorchamps, só foi atingido hoje (ontem), na hora do almoço”, afirmou Stephane Samson, chefe de imprensa da Renault.

  O que Samson não pôde dizer foi que Nick Heidfeld, alemão a quem Bruno irá substituir, ameaçou recorrer à justiça. Não para garantir a vaga no time francês, já perdida pela completa ausência de clima para ele no grupo, mas essencialmente sair com mais dinheiro da Fórmula 1. E conseguiu. Aos 34 anos, definido por Eric Boullier, chefe da escuderia, como “um piloto fraco”, daí a dispensa, Heidfeld sabe que seu rumo, agora, é o Campeonato Alemão de Turismo (DTM).

  Bruno já foi escalado pela FIA para a entrevista coletiva de hoje, no circuito belga. “Só depois poderá falar com a imprensa em separado”, disse Samson. “Por razões legais”. Terça-feira, à noite, os advogados de Heidfeld e da Renault buscavam uma solução para o impasse na sede inglesa do time, em Enstone, Inglaterra. A discussão se estendeu até ontem.

  Aos 21 anos, Bruno decidiu enfrentar a resistência da família e sinalizar à mãe, Viviane, o desejo de iniciar a carreira de piloto. A perda do tio, Ayrton Senna, dez anos antes, quase que excluíra o automobilismo da família. Gerhard Berger, amigo de Viviane, organizou um teste para Bruno na Fórmula BMW, pois era diretor de competições da montadora alemã.

  “Levei um choque, caí sentada, quando o Berger me disse que o Bruno tinha jeito para a coisa”, disse Viviane em entrevista ao Estado, em 2007. “A partir daí, passei a apoiá-lo.” A diretora do Instituto Ayrton Senna conta, também, que estava em Miami, para uma palestra sobre o importante trabalho do instituto, quando foi tomada por uma vibração muito elevada: “Senti como se fosse uma mensagem. Uma mensagem para não atrapalhar a carreira do Bruno”.

  O futuro do sobrinho de Ayrton Senna na Fórmula 1 está relacionado ao desempenho que terá nas duas próximas etapas do campeonato, Bélgica e Itália. O anúncio de ontem refere-se apenas à corrida de Spa-Francorchamps, mas pelo menos até Monza Bruno deve seguir na Renault. Depois, dependerá do que produzir. A última vez que Bruno disputou um GP foi em novembro, em Abu Dabi, pela pouco estruturada Hispania.

  Há um piloto pronto para entrar na vaga na eventualidade de Bruno não corresponder, como fez Heidfeld. É o francês Romain Grosjean, com boas chances de definir o título da GP2 já no fim de semana, em Spa-Francorchamps, na penúltima prova do calendário. E Boullier não esconde que deseja revê-lo na Fórmula 1. Quando substituiu Nelsinho Piquet, na mesma Renault, em 2009, não correspondeu.

 

 

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