É apenas uma ideia sobre o mercado de pilotos, mas pode proceder.

liviooricchio

31 de agosto de 2012 | 08h00

31/VIII/12

Livio Oricchio, de Spa

Olá amigos!

Toda vez que o assunto mercado de pilotos vem à tona confesso não entender o que se passa. Alguma coisa não encaixa. Não são poucos os que afirmam que Sebastian Vettel vai correr pela Ferrari a partir de 2014. Há quem vá além: o alemão já assinou com os italianos. Nunca acreditei.

Pessoas próximas a Vettel e meus amigos riem dessa história. O piloto da Red Bull também, contam-me. Que sentido haveria deixar uma equipe como a Red Bull, hoje, com Adrian Newey como diretor técnico e orçamento poderoso, e se transferir para a Ferrari a fim de compartilhar a escuderia com o bicho-papão Fernando Alonso? E para ganhar apenas um pouco a mais do que Dietrich Mateschitz, o proprietário da Red Bull, lhe paga, cerca de 18 milhões de euros por ano?

Ontem almocei com Ivan Capelli, ex-piloto da Ferrari e hoje comentarista da TV italiana, no motorhome da Pirelli, aqui no paddock do circuito Spa-Francorchamps. Num certo momento a conversa enveredou para a formação dos times já na próxima temporada e em 2014. Expus algo que não havia comentado com ninguém, ainda, e disponibilizo aqui. Capelli não concordou.

É apenas uma raciocínio, mas que se proceder eu terei encontrado a peça que faltava para concluir a montagem do quebra cabeça. Pode, também, não fazer sentido e nesse caso eu regressaria a estaca zero na tarefa de tentar desvendar como será a Fórmula 1 em 2014.

Curto e grosso: Alonso pode abandonar a Fórmula 1 no fim de 2013.

Primeiro: o espanhol tem contrato até o fim de 2016. É público. O que, por si só, desmente a minha tese. Segundo: pilota como nunca. Sua performance constitui um espetáculo à parte nos GPs. Portanto, estímulo é o que não lhe falta.

Mais: bem poucos desprezam um contrato com a Ferrari capaz de lhes garantir pelo menos 25 milhões de euros por ano, fora o que fatura com os contratos de publicidade particulares, decorrentes de ser um campeão do mundo na ativa, em grande forma, o que o coloca em evidência a todo momento. Por seus compromissos com Santander, relógios Viceroy, óculos Oakley e Puma, outros 10 milhões de euros vão parar no seu bolso.

Dá para ver que Alonso teria motivos de sobra para dar sequência a sua brilhante carreira na Fórmula 1 depois de 2014? Nem mesmo a idade seria um fator de impedimento. O asturiano de Oviedo está hoje com 31 anos e no fim de 2013 terá 32 e meio. Nasceu a 29 de julho de 1981.

Se considerarmos que Michael Schumacher aos 43 anos ainda compete, ou quase compete, para Alonso estender a permanência na Fórmula 1 até os 35 anos, em 2016, quando termina seu contrato, não lhe exigiria nenhum grande trabalho extra de preparação física e psicológica. Muito provavelmente não teria entrado, ainda, na descendente.

Mas se tudo joga a favor da continuação de Alonso na Fórmula 1, por qual razão eu acredito ser possível ele parar já no fim do ano que vem?

Não é de hoje que o vejo responder não se enxergar tanto tempo na Fórmula 1, quando lhe pedem para comentar sobre Schumacher ou outro veterano. Tenho a chance de, por vezes, lhe fazer alguma pergunta, informalmente, e o comentário é sempre o mesmo, não saber quando vai parar, mas não se arrastará na competição.

Diante da sua postura, o máximo que dá para imaginar é vê-lo cumprir o contrato com a Ferrari. Mas Alonso tem enfatizado demais os três títulos mundiais de Ayrton Senna, o piloto que mais admira.

“Se for campeão nesta temporada ou no ano que vem será marvilhoso, pois me igualarei a Senna, o piloto que sempre foi a minha referência”, disse ainda ontem, aqui em Spa.

Como aqui é um blog, há espaço também para expressar o que sinto: tenho o feeling de ser possível Alonso parar de correr na Fórmula 1 no fim de 2013.

Isso explicaria esse eventual contrato que Vettel teria com a Ferrari, conforme ouço falar na Fórmula 1. E não acredito. Na entrevista que fiz com ele, este ano, na Hungria, me chamou a atenção como o alemão sentiu-se desconfortável ao abordarmos o tema Ferrari. Pode, óbvio, não ser nada, até mesmo incompreensão à questão, tenho respondido já antes nas coletivas. Como, por que não?, não querer mexer num segredo bem guardado.

Como tenho escrito, nunca levei em consideração os rumores de Vettel na Ferrari em 2014, mas comecei a pensar no que seria necessário para a transferência e encontrei a hipótese descrita acima.

Se não for apenas uma fantasia, há outro ponto de elevada importância a ser visto nessa história: quem pilotaria para a melhor equipe da Fórmula 1, campeã do mundo nos dois últimos anos, a Red Bull? Há apenas três pilotos, hoje, no nível mais alto: Alonso, de saída, pela minha hipótese, Hamilton, prestes a renovar com a McLaren, e precisamos estar atentos ao período do seu novo contrato, e Vettel, com destino Ferrari.

De repente, Hamilton não precisará mais se oferecer a Christian Horner, diretor da Red Bull, como fez no ano passado durante os dias do GP do Canadá. Desta vez, dependendo do compromisso do talentoso inglês com a McLaren, pode ser que Horner lhe venha bater à porta, oferecendo o emprego.

Bem, não é comum eu viajar da maneira como fiz no texto. Mas, acredite, fez sentido para mim, daí expor o raciocínio. Explica muita coisa nesse affair entre Vettel e a Ferrari e vice-versa. Se é verdade ou não veremos, e não será tão já. Mas, como escrevi, não se trata de um chute e sim de um exercício de encaixar as peças que, claro, pode não proceder.

Abraços, amigos. A chuva não parou. Vou almoçar. Aonde? No motorhome da Sauber.

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