É quase unânime, as novas regras pioraram o espetáculo

liviooricchio

15 de março de 2010 | 14h39

15/10/10

Livio Oricchio, de Sakhir

 São opiniões de peso: “Ficou impossível ultrapassar. A não ser que o adversário à frente tenha um problema não é possível nem segui-lo de perto”, afirmou o vencedor do GP de Bahrein, duas vezes campeão mundo, Fernando Alonso, da Ferrari. Michael Schumacher, da Mercedes, não tem ponto de vista diferente: “Agora é você estabelecer o seu ritmo e ir até o fim, não há variação.” Em resumo: o fim do reabastecimento de gasolina, imposto pela FIA este ano, fracassou na tentativa de melhorar o espetáculo, ao menos pelo que a prova no circuito de Sakhir apresentou ontem.

Para piorar, os novos pneus Bridgestone mostraram-se tão duráveis que mesmo com a temperatura da pista na casa dos 40 graus todos fizeram apenas um pit stop. Patrick Head, sócio e diretor de engenharia da Williams, já havia previsto: “Sem as paradas para reabastecimento de gasolina as corridas ficarão tão chatas que a FIA terá de voltar atrás e torná-lo possível novamente.” Ainda está longe de a FIA concluir que será mesmo assim, mas ontem a chiadeira foi geral dentre os pilotos.

 O líder da classe, Mark Webber, da Williams, comentou: “Na Fórmula 1, é difícil um piloto errar por estar sendo pressionado. E como todos estão na pista na mesma condição o tempo todo, ninguém ultrapassa ninguém.” Estava inconformado com o fato de dispor do melhor carro da prova, o Red Bull-Renault 06, e receber a bandeirada apenas em oitavo, enquanto seu companheiro, Sebastian Vettel, liderou até a 33.ª volta e não fosse problema no escapamento venceria. “Era para eu também poder crescer na classificação se houvesse meios. Hoje não existem.”

O mais curioso é que a FIA e os próprios dirigentes das equipes, reunidos no Technical Working Group (TWG), responsáveis pela definição das regras, acreditaram que com o fim dos pit stops com reabastecimento as ultrapassagens seriam na pista e não nas operações nos boxes. “Não existe mais, essencialmente, a estratégia de corrida. As ultrapassagens tornaram-se impossíveis. Nico (Rosberg) ultrapassou Lewis (Hamilton) porque ele errou”, comentou Schumacher, que conquistou cinco dos seus sete títulos quando a eficiência da estratégia, com o reabastecimento, contava muito nas vitórias.

 O diretor da McLaren, Martin Withmarsh, afirmou depois da prova: “Precisamos nos reunir e estudar o que fazer. Ficou ruim, muito ruim”, comentou. “Nós já defendíamos a obrigação de duas paradas, mas é preciso mais coisas, como solicitar à Bridgestone que se um piloto completar 20 voltas com os pneus supermacios seu tempo de volta vai piorar muito.” Nos próximos dias o assunto deverá ser discutido, mas parece pouco provável que ocorram alterações, por exigir a unanimidade de aprovação e os que estão na frente, Red Bull e Ferrari, não deverão concordar na revisão das regras com o campeonato em curso.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.