É teoria de conspiração demais, amigos!

liviooricchio

14 de setembro de 2010 | 11h51

14/IX/10

 

Livio Oricchio, de Nice

 

  Confesso estar impressionado com o número de comentários que atribui a algo extrapista o resultado da corrida de Monza. É a Ferrari com seus poderes sobrenaturais na FIA, a força comercial do banco Santander, a obcecada concentração de interesse do time em Alonso…meu Deus!

 

  Tudo bem que a história da Fórmula 1 mostra, no passado, privilégios à Ferrari, como a vergonhosa punição a Fernando Alonso, da Renault, na classificação do GP da Itália de 2006, por ter “atrapalhado” Felipe Massa. Todos sabiam que o que pudesse ser feito para Michael Schumacher abandonar a Fórmula 1 com mais um título seria tentado, como ficou evidente. Alonso era seu concorrente. Há outros exemplos.

 

 

  Mas, senhores, nem sempre é assim. Diria que na maioria das vezes as coisas se definem por conta própria. Para muita gente, há uma conspiração por trás de tudo, seja lá para o que for. Impressionante. Estamos entrando já no campo das psicopatologias.

 

  Tudo bem que somos brasileiros e da terra do Valerioduto, de Renan Calheiros, Paulo Maluf, José Sarney, Vicente Leal, aquele ministro do STF que vendia sentença para traficantes, junto com alguns colegas, claro, dentre milhares de exemplos dessa natureza. A vida na Fantasy Land de Lula se desenvolve assim. Aos amigos do rei, tudo. Aos inimigos, a lei! E aí entra em cena o nosso isento e inatacável Judiciário, com seu elevado espírito de justiça.

 

  Aqui onde vivo, na França, há mais ou menos 220 anos o povo cercou um bando semelhante a esse, talvez até menos virulento, e lhe fez passar por um presente concebido pelo médico Joseph Guillotin. Sua invenção ficou famosa como guilhotina.

 

  Você não assistiria à decaptação dessa tropa de sanguinários em frente ao Congresso e colocaria o nome da praça de Nova Bastilha?

 

  Voltando… não é por aprendermos que uma nação funciona sob o estigma do corporativismo e conchavos cancerígenos que tudo no mundo se processa assim. Não pense lá, por favor, que fora das fronteiras do parque de diversões do PT tudo segue as mil maravilhas, como vários brasileiros acreditam. Longe disso.

 

  Mas sabe qual é a diferença principal entre aqui e aí, nesse aspecto da prevaricação? Aqui é a exceção. Aí, a regra!

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