Ecclestone aconselha Mosley a não viajar para Bahrein

liviooricchio

31 de março de 2008 | 18h10

31/III/08

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O homem que ainda é o grande líder da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, enviou uma mensagem ao presidente da FIA, Max Mosley, personagem de uma orgia sexual sado-masoquista que chocou o mundo esportivo: “Ele não deveria ir para Bahrein. Todo o interesse da corrida seria deslocado para si”. Comentou, ainda, como reagiria a família real barenita, envolvida diretamente na inclusão do país no Mundial: “Não gostaria”. Domingo será disputada no circuito de Sakhir, em Bahrein, a terceira etapa do campeonato.

As pressões das empresas que investem na Fórmula 1 para Mosley deixar o cargo são grandes, admitiu Ecclestone. Mosley foi flagrado quando estava com cinco prostitutas, em Londres. Na fantasia do encontro, o principal dirigente mundial do automobilismo assumiu a função de comandante de um campo de concentração nazista. E, com um chicotinho, atingia as nádegas das mulheres, vestidas de prisioneiras. Enquanto executava as chicotadas, contava em alemão.

Várias entidades judaicas protestaram, hoje, contra as imagens disponibilizadas pela versão eletrônica de domingo do jornal inglês News of the World. A edição impressa publicou fotos também. Na Alemanha, terra da Mercedes e da BMW, duas montadoras com equipes na Fórmula 1, o desgaste de Mosley foi enorme por evocar um período negro da história da nação, o nazismo. O histórico da família Mosley ajuda a complicar o presidente da FIA. Seu pai, Oswald, foi o fundador do partido fascista britânico nos anos 30. Adolf Hitler esteve pessoalmente no seu casamento com Diana, mãe de Max.

Ecclestone não defende a saída de Max Mosley da presidência da FIA. “O que ele deve fazer é o que pensa ser o certo. Foi apenas ele que se envolveu, não a FIA.” Assessores de Mosley informaram, hoje, que ele não renuniciará ao cargo e já obteve a primeira vitória ao fazer com que o jornal News of the World retirasse do ar as imagens gravadas durante as cinco horas em que esteve com as prostitutas e pagou, à vista, cerca de R$ 9,5 mil.

Com Ecclestone defendendo seu amigo e dada a capacidade do advogado e físico formado em Oxford, Max Mosley, de lidar com situações adversas, a tendência é de que continue no cargo. A própria FIA já expressou sua visão dos fatos através da assessoria de imprensa: “Esse é um problema entre o senhor Mosley e o jornal e temos informações de que seus advogados já estão trabalhando”.

Mas na eventualidade de Mosley não suportar a enorme pressão que já se forma, quem o substituiria? O nome mais que provável é o de Jean Todt, ex-diretor da Ferrari. O francês declarou, recentemente, ao deixar o time italiano que “novas perspectivas profissionais” devem orientar seu futuro. Nos fins de semana das provas de Melbourne e Sepang, mês passado, antes do escândalo, seu nome como sucessor de Mosley surgiu ainda forte do que já se comenta há tempos.

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