Ecclestone condiciona permanência da F-1 no Brasil a reforma em Interlagos

liviooricchio

31 de julho de 2010 | 20h09

31/VII/10

Livio Oricchio, de Budapeste

Bernie Ecclestone não poderia ser mais claro, ontem, nessa entrevista exclusiva ao Estado, antes da classificação do GP da Hungria: “O Brasil organizará a próxima Copa do Mundo e a Olimpíada de 2016. Faz sentido. Há muito tempo acredito no Brasil, levamos a Fórmula 1 para lá ainda em 1972.” Mas avisou: “O futuro da Fórmula 1 no Brasil depende, agora, de melhoras importantes em Interlagos. Esse eventos representam grande oportunidade para rever o autódromo também. Não posso mais ser questionado pelas equipes por qual razão corremos no pior circuito do campeonato. Vou ter uma conversa séria com o prefeito.”

  O promotor do Mundial diz não ser o caso de cobrar projetos grandiosos, como o da China, por exemplo: “Esqueçamos as novas nações que entraram no calendário, representam outra realidade. Mas todas as dependências de Interlagos são insuficientes para a Fórmula 1. As equipes reclamam de espaço, funcionalidade, não é mais possível conviver com isso.” E justificou seu ponto de vista: “A Olimpíada exige imenso investimento, será bom para o Brasil, inquestionável, mas dura 15 dias”, afirmou. “Depois nem sempre tudo o que foi feito é bem aproveitado.” Interlagos reconstruído ou mesmo outro autódromo seriam permanentemente usados não só pela Fórmula 1 como pelo automobilismo brasileiro, argumenta.

  Como não poderia deixar de ser, Ecclestone falou também de Felipe Massa. “Soube que o atacaram duramente por deixar Fernando Alonso ultrapassar na Alemanha. Se foi ordem de equipe, ele não poderia fazer nada. Agiu corretamente, obedeceu seu time. As pessoas deveriam apoiá-lo.” Falou, ainda: “Numa próxima oportunidade pode ser ele que esteja melhor no campeonato e receba maior atenção da equipe. Amaria vê-lo campeão.” Quanto à Ferrari mudar de postura agora, permitir que vença caso esteja na frente de Alonso, como Stefano Domenicali, diretor da escuderia, comentou ao Estadão, Ecclestone disse: “É um erro. Se fizeram aquilo em Hockenheim que sejam, então, coerentes.”

  O Brasil tem ainda Bruno Senna, da Hispania, e Lucas Di Grassi, Virgin, na Fórmula 1. “Difícil julgá-los como pilotos com os carros que possuem.” Ter o sobrenome Senna na Fórmula 1 é bom? “É bom ter o Bruno conosco. Agora ter o sobrenome na Fórmula 1 não quer dizer muito porque Ayrton Senna sempre estará aqui, nunca morrerá.” A entressafra de pilotos brasileiros capazes de chegar à Fórmula 1 demonstrando potencial para conquistar títulos é passageira. “Os brasileiros não precisam se preocupar. A exemplo de sua incrível capacidade de gerar grandes jogadores de futebol, no automobilismo não é diferente, em breve vai aparecer alguém, não tenho dúvida.”

  No fim de 2012 termina o contrato das equipes com a Formula One Management (FOM), empresa de Ecclestone. “Como sempre, estou tranquilo de que chegaremos a um acordo que interesse a todos para estender nossa relação.” Dia 28 de outubro Ecclestone completará 80 anos e não dá nenhum sinal de que deixará de ser o principal dirigente da Fórmula 1.

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