Ecclestone e seus sócios pagam a conta e termina ameaça de boicote

liviooricchio

26 de março de 2009 | 21h37

27/III/09
GP da Austrália
Livio Oricchio, de Melborne

“Recebemos parte do que devemos receber e os termos do acordo para o restante do negócio atende, em princípio, os nossos interesses”. Como essas palavras, de um alto integrante da Ferrari, não há mais risco de boicote aos treinos ou mesmo à corrida de abertura do campeonato.

A Fota, associação das equipes, enviou comunicado, hoje, sexta-feira em Melbourne, para explicar a situação. Traz a nota que Flavio Briatore e Ron Dennis, representantes da entidade, reuniram-se com Bernie Ecclestone, da Formula One Management (FOM), detentora dos direitos comerciais da Fórmula 1, dia 18, para cobrar o que as equipes tinham ainda por receber referente ao acordo de 2006, 2007 e 2008.

Ecclestone negociou com cada time a extensão do Acordo da Concórdia, conjunto de normas que estabelece dentre outras coisas o critério de distribuição de verbas às escuderias, e a maior parte do dinheiro não havia sido paga. O sócio de Ecclestone na holding que gerencia a Fórmula 1, Slec, a empresa CVC, enfrenta dificuldades financeiras.

As equipes ameaçaram não colocar seus carros na pista se alguma providência não fosse tomada para a Slec pagar a dívida que envolve soma bastante elevadas. E para assinar a extensão do Acordo da Concórdia os representantes das equipes também exigiam a solução do pagamento de seus direitos.

A liberação de parte do que a Slec deve aos times colocou um pouco de paz no GP da Austrália, em ebulição atrás dos boxes. “Agora o que desejamos é apenas competir, fundamentalmente para o que viemos até aqui”, disse a fonte da Ferrari.

A Fórmula 1 nem iniciou sua 60.ª temporada e os ânimos estão acirrados. Entre equipes e a gestão do evento, Ecclestone e seus sócios, e entre as próprias equipes do ponto de vista esportivo, por conta do protesto de Ferrari, Renault e Red Bull contra Brawn GP, Toyota e Williams, em razão de seu difusor, porção final do assoalho do carro, considerado pelos acusadores de “irregular” e responsável por parte da boa performance desses projetos.

Com isso, o que acontecer no circuito Albert Park, domingo, bem como no de Sepang, na Malásia, daqui a uma semana, só será oficializado ou revisto antes da etapa de Xangai, dia 19, terceira do campeonato, quando o Tribunal de Apelos da FIA julgar a reclamação contra Brawn, Toyota e Williams.