Ecclestone prepara outro golpe de mestre?

liviooricchio

20 de junho de 2009 | 14h01

20/VI/09
GP da Grã-Bretanha
Livio Oricchio, de Silverstone

Enquanto a impresa procurava cercar Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, e Max Mosley, presidente da FIA, em Silverstone, um personagem acompanhava tudo de longe, mas no autódromo. Seu nome: Donald McKenzie. Ou o maior perdedor, disparado, com a notícia de que a associação das equipes, Fota, vai promover seu próprio campeonato.

O empresário é o principal diretor da CVC, um fundo de investimento e, para surpresa de muitos, o maior proprietário da Fórmula 1. Isso mesmo, a competição tem dono. Cerca de 75% da Formula One Management (FOM), detentora dos direitos comerciais da Fórmula 1, são da CVC. O restante está nas mãos de Ecclestone.

Se existe alguém nesse mundo que está pressionando Ecclestone para encontrar um solução negociada para o caso Fota x FIA é Donald McKenzie. Não é difícil compreender: com a Fota organizando seu próprio campeonato, a Fórmula 1 fica sem ninguém de expressão maior, pilotos, equipes. E será esse produto que será oferecido às redes de TV, promotores de grande prêmio e patrocinadores.

Ou seja, o valor da Fórmula 1 vai despencar. Quem vai querer comprá-la com o evento da Fota, onde está a verdadeira Fórmula 1, sendo comercializado também e por valores bem mais baixos? Donald McKenzie evita os jornalistas. Sabe-se que a CVC investiu nada menos de US$ 1,2 bilhão para adquirir a parte dos bancos na FOM, Bayerische Landesbank, JP Morgan e Lehman, diante da crise financeira mundial.

Esse dinheiro tem de gerar dinheiro. E até está. Do arrecadado pela FOM, por exemplo com a venda dos direitos de TV, sua maior fonte de receita, cerca de 50% é repassado às equipes, parte se destina aos custos da própria FOM e a outra é dividida entre seus sócios. Com o valor do produto Fórmula 1 caindo dramaticamente, o que ocorrerá se o competição da Fota sair mesmo, o prejuízo tocará a casa do bilhão de dólares. Muito maior e bem mais sério que o dos fãs, das equipes e dos pilotos, como todos acreditam.

Há até quem diga, e não é de hoje, que Ecclestone esteja esperando exatamente isso, a desvalorização da Fórmula 1, para depois recomprar a parte da CVC na FOM por um valor bem mais reduzido que o pago, lógico. Na sequência, quando os ânimos estiverem menos acirrados, procurar uma solução de compromisso entre Fota e FIA, o que elevaria novamente o valor da Fórmula 1. Golpe de mestre?

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