Em Barcelona, BMW e McLaren confirmam ascensão

liviooricchio

12 de fevereiro de 2007 | 19h10

Como é a Fórmula 1, não? Quem diria, no fim da temporada passada, que McLaren e BMW poderiam já este ano evoluírem ao ponto de igualarem-se à Renault e Ferrari? É o que cada treino que antecede a abertura do Mundial, dia 18 de março na Austrália, vem sugerindo.

Ontem, no primeiro dia de testes no Circuito da Catalunha, em Barcelona, a exemplo dos ensaios em Valência e Jerez de la Frontera, nas últimas semanas, McLaren e BMW mostraram-se as mais eficientes. Tudo bem, treino livre é treino livre e corrida é corrida. Mas faz tempo que tanto os pilotos da McLaren quanto os da BMW vêm dominando os testes coletivos. Começa a haver um fundo de verdade naquilo que estamos vendo.

Hoje conversei com duas fontes que estão em Barcelona. Uma é meu amigo Luis Vasconcelos, do Autosport português, profissional que coloco dentre os mais competentes que conheço, outra é um personagem da Fórmula 1. Há uma impressão geral que, neste instante, a velocidade da McLaren MP4/22 e BMW F1.07 é mesmo uma realidade da competição.

“Pude observar nos testes de Jerez e hoje, apesar de neste primeiro dia tanto Felipe Massa quanto Kimi Raikkonen terem tido sérios problemas elétricos, que a Ferrari F2007 é quem mais consegue completar séries seguidas de voltas com tempos sempre interessantes”, disse a minha fonte. “Curiosamente, a Ferrari não está conseguindo, ainda, tirar o máximo do pneu na primeira volta.”

Esta é a razão para Massa e Raikkonen não aparecerem com frequência como os mais rápidos. Massa ficou com o primeiro tempo do treino em Jerez, semana passada, mas a instabilidade do clima interveio diretamente no resultado final. A Ferrari não usufruir o melhor momento do pneu é uma surpresa. Afinal é a equipe italiana quem utilizava pneus Bridgestone (desde 1999) e não McLaren, BMW e Renault, times da Michelin.

Como a Ferrari, a maior dificuldade da Renault até agora é exatamente essa: encontrar um acerto mecânico e aerodinâmico para o R27 que lhe permita ser veloz na primeira volta do pneu. Isso também explica Heikki Kovalainen e Giancarlo Fisichella não aparecerem dentre os primeiros nos ensaios. Já o número de voltas que completam com tempos promissores os colocam dentre os mais eficientes numa corrida, por exemplo.

Ontem, no Circuito da Catalunha, Pedro de la Rosa, com MP4/22, fez 1min22s634 (76 voltas), o mais rápido do dia. Depois vieram Robert Kubica, com BMW F1.07, e 1min22s635 (60), e o bicampeão do mundo, Fernando Alonso, da McLaren, 1min22s726 (56). A boa surpresa deste início de preparação é o modelo FW29-Toyota da Williams, que ontem com Alexander Wurs marcou o quarto tempo, 1min23s037 (44).

Já em Jerez e agora em Barcelona a Williams dá sinais de poder sair daquela situação desesperadora de 2006, em que marcou pontos em apenas 4 das 18 etapas do calendário e terminou na 8ª colocação entre os construtores, com incríveis 11 pontos. “O carro é melhor que o do ano passado, não há dúvida, e eles estão aproveitando bem os pneus (a Williams já corria com Bridgestone). Mas não fizeram nenhuma série mais longa de voltas ainda”, disse Vascolcelos, presente nos três ensaios coletivos este ano.

Só depois da McLaren e BMW (não estou colocando a Williams na frente da Ferrari) é que vêm Massa, 5º com 1min23s077 (29), e Raikkonen, 6º com1min23s215 (79).

É preciso ter em mente no teste de hoje que a chuva atrapalhou a todos. Havia pista seca pela manhã, quando as escuderias não aprontam seus carros para extrair o máximo, e no fim da tarde, a partir das 15h30, depois de a chuva parar. Coloque nessa balança que o traçado é distinto do que as equipes estavam acostumadas.

Sua extensão não é mais 4.627 metros, mas 4.655. E mais importante que isso é sua configuração. Duas curvas de média/alta velocidade foram alteradas. A penúltima, substituída por um S de baixa velocidade, praticamente uma chicane, o que fez com que a velocidade de aproximação da última curva, antes da reta dos boxes, se reduzisse muito. “Agora fazemos a última curva de pé em baixo sem nenhuma dificuldade”, explicou-me Rubens Barrichello, quando do lançamento do novo carro da Honda, RA107.

Nesse novo circuito, pode-se dizer assim, os acertos mecânico, inclua aí a relação de marchas, e aerodinâmico são distintos do que os times tinham da pista catalã. Hoje foi o primeiro dia de treinos e com chuva em parte dele ainda. Estão tentando encontrar-se no novo traçado. Ninguém pôde concluir o programa de experimentos previsto para hoje.

Não gostei do que ouvi do estágio da Honda. Bem ao contrário de 2006, não consegue completar muitas voltas e o RA107 não entusiasma também em termos de velocidade. Mas, pensando bem, se ano passado Rubens Barrichello e Jenson Button arrasaram na pré-temporada e depois a escuderia foi muito mal na primeira metade do campeonato, quem sabe agora ao não mostrarem-se rápidos surpreendam nas primeiras etapas. Não será fácil, porém.

“Parece que mexeram no acerto básico geral do carro para o teste daqui de Barcelona, a fim de ver se suas reações seriam outras, melhores que as de Jerez, mas Rubinho teve duas panes no circuito e acabou rodando depois. Dão a impressão de estarem meio perdidos”, comentou minha fonte.

A Honda não conseguiu completar muitas voltas seguidas com o RA107 no asfalto seco. Aí poderiam realizar os testes que necessitam sobre acerto do chassi e, então, conhecer melhor seu potencial. Hoje Christian Klien deu 51 voltas, com 1min24s227, o 13º, e Rubinho, somente 24 voltas, com 1min24s934, 17º.

Amanhã terei mais informações. Abraços!

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