Em final histórica, Raikkonen conquista o título

liviooricchio

21 de outubro de 2007 | 21h50

21/X/07
GP do Brasil
Livio Oricchio

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Se dominasse o português, Kimi Raikkonen bem que poderia dizer, ontem, em Interlagos, diante de 70 mil torcedores em êxtase: “Pé frio uma ova”! O gelado finlandês da Ferrari expurgou os demônios que o acompanhavam e conquistou numa corrida emocionante e histórica o seu primeiro título mundial. Contra quase todas as previsões. Estava 7 pontos atrás de Lewis Hamilton e 3 de Fernando Alonso, ambos da McLaren.

Quem foi ao autódromo ou os 500 milhões de telespectadores no mundo todo assistiu a uma etapa final de campeonato cheia de alternativas, em sintonia com as fortes emoções da temporada, conforme também a classificação final atesta: Raikkonen 110 pontos e Lewis Hamilton e Fernando Alonso, 109, inédita.

Os três pilotos estiveram na pista, ao menos em algum momento, em condição de serem campeões. No fim, o sangue frio de Raikkonen, a ajuda decisiva do campanheiro de Ferrari, Felipe Massa, ao lhe oferecer a vitória, a eficiência do modelo F2007 e um erro de Lewis Hamilton somado à primeira pane do carro da McLaren no ano garantiram o resultado menos provável de todos.

Os seis anos de “azares” de Raikkonen na Fórmula 1 foram apagados na raiz com a rara combinação de fatores que lhe garantiram o título. “Eu não acredito em azar”, falou o finlandês que o máximo que expôs de emoção foi um meio sorriso. É bom os fãs da Fórmula 1 se acostumarem. O novo papa do automobilismo é indiferente até quando é campeão pela primeira vez. “Não vai mudar minha vida.”

Massa foi decisivo para a conquista. “Dei um pouco à equipe que tanto me ajudou no início de carreira”, afirmou. No segundo pit stop, diminuiu o ritmo para que Raikkonen saísse do box na sua frente, em primeiro. Ele mesmo acabou em segundo diante da sua torcida. “Massa é o vencedor da corrida. Ele foi o melhor. Mas pensou na equipe”, falou Jean Todt, diretor da Ferrari. No primeiro ano da era pós-Schumacher, a Ferrari já é campeã.

A decepção do dia acabou sendo o piloto que mais impressionou a todos este ano, a sensação da Fórmula 1, “o que de melhor poderia ter surgido para nós”, como definiu o promotor do espetáculo, Bernie Ecclestone: Lewis Hamilton. Errou e a sua McLaren, pela primeira vez no ano, o deixou na mão, com uma pane momentânea no câmbio. Acabou em sétimo. “O duro é que errei pela segunda vez”, disse, profundamente abatido. Na China já havia desperdiçado um match point.

Alonso, terceiro colocado, definiu o comportamento da McLaren: “Hoje perdemos o título por um ponto. Se tivéssemos concentrado a atenção em um de nós, seríamos campeões e não segundo e terceiro.” A perda do título pela McLaren deixou uma sensão de justiça no ar depois do escândalo de espionagem em que se envolveu. O campeonato de 2007 já entrou para a antologia da Fórmula 1.

FIM

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