Engenheiro brasileiro da Renault diz não haver irregularidade alguma na Red Bull

liviooricchio

10 de outubro de 2013 | 00h12

10/X/13
Suzuka

É sempre assim na Fórmula 1: toda vez que uma equipe passa a vencer seguidamente, o que primeiro vem à mente dos chefes de equipe adversários não é a possibilidade de o concorrente estar realizando um trabalho melhor, mas de que há alguma falcatrua por detrás daquele sucesso.

Esse é o caso, agora, da Red Bull. Sebastian Vettel ganhou as quatro últimas etapas depois de largar na pole position, é o favorito para celebrar outra vitória, domingo, no GP do Japão, em Suzuka, quem sabe já definir o tetracampeonato, e já se fala de tudo a respeito dessa arrancada espetacular depois da prova na Bélgica.

As hipóteses são de um controle de tração disfarçado pelo gerenciamento eletrônico do motor e até o uso do sistema de recuperação de energia, Kers, para aumentar a eficiência de tração do modelo RB9-Renault da escuderia de Vettel.

Ontem, no circuito japonês, enquanto os mecânicos trabalhavam na montagem final dos carros para o primeiro treino livre, com início hoje às 22 horas, horário de Brasília, 10 horas de sexta-feira em Suzuka, o tema foi discutido por profissionais da competição: o que teria levado a Red Bull aumentar tanto sua já conhecida velocidade?

Ricardo Penteado, engenheiro brasileiro, chefe da Renault, com quem a Red Bull tem uma parceria técnica, afirmou ao Estado que não há como sua empresa, responsável pelo mapa de controle das muitas funções do motor da Red Bull, fazer qualquer coisa que fira o regulamento. “Tudo é checado pela FIA.” E lembra: “A unidade eletrônica de gerenciamento (ECU) é distribuída pela própria FIA, para poder verificar se todos os programas estão de acordo com as regras”.

Para Penteado, essas reações são normais quando alguém se impõe na competição. “Seria uma loucura tentar fazer algo ilegal. Acabaria com sua credibilidade, a equipe seria excluída da temporada, receberia uma multa, não faz sentido.”

Um integrante da Williams comentou com o Estado que também na sua opinião não há nada de ilegal na Red Bull. “O seu projetista (Adrian Newey), o conheço bem”, disse. “Ele coordena um grupo que estuda cada área do regulamento em detalhes, para poder tirar vantagens, realizar algo que dê alguma velocidade extra. Acho que é o caso, agora, de novo.”

Carro específico para os pneus

O italiano Giorgio Piola, desenhista, tem acuidade visual e memória pródigas. É capaz de numa rápida observação compreender as muitas novidades incorporadas nos carros. “O modelo que Newey estreou em Spa, quando começou a série de vitórias, era muito diferente da versão anterior”, explica. “Aerofólios, assoalho, defletores e a forma como usa os gases do escapamento para aumentar a geração de pressão aerodinâmica são outros.”

Não há segredo para Piola. “Essa nova versão do modelo RB9 de Newey para a Red Bull foi concebida para explorar as características dos novos pneus Pirelli, usados na segunda metade da temporada.”

Quando todos dizem que o time de Vettel é o que melhor se
aproveitou da introdução dos novos pneus, Piola lembra que a Red Bull fez o que ninguém fez, construiu uma versão do carro específica para esses pneus. “E eles são bem distintos dos anteriores. Por isso os adversários, que apenas fizeram sutis adaptações para receber esses pneus, ficaram tão para trás, não os exploram tão bem.” O italiano também acredita que não existe nenhuma má-fé do parte da Red Bull.

A Pirelli distribuiu em Suzuka pneus duros e médios. Dada a seletividade do traçado de 5.807 metros e o histórico de melhor aproveitar esses pneus da Red Bull, parece ser bem possível que Vettel domine a competição de novo. E, óbviamente, a enxurrada de desconfianças a respeito da legalidade da equipe deverá crescer ainda mais, apesar de nada, até agora, ter sido detectado pelos comissários que, nessas situações, passam a ser ainda mais rigorosos nas inspeções.

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