Enquanto Lotus reparava o carro, Kimi assistia à TV no motorhome

liviooricchio

20 de fevereiro de 2013 | 16h40

20/II/13
Barcelona

Enquanto o mexicano Sérgio Perez, da McLaren, estabelecia o melhor tempo do dia, ontem no Circuito da Catalunha, com os pneus macios da Pirelli, Kimi Raikkonen aguardava sua equipe, a Lotus, reparar o carro. Problemas na transmissão levaram o finlandês a completar apenas 43 voltas na pista de 4.655 metros. Já Perez, 97.

O Estado ouviu Raikkonen, já que no dia anterior dificuldades no sistema de telemetria, recurso destinado a captar dados sobre o funcionamento do carro, o fizeram, da mesma forma, ficar parado bastante tempo. Como quase não treinou ontem, o que teria visto nos adversários, como a McLaren de Perez ou no Red Bull do tricampeão, Sebastian Vettel, segundo mais veloz, que lhe chamou a atenção? No seu melhor estilo, Raikkonen respondeu: “Não vi os testes, estava assistindo à televisão”.

Em 2009, o GP da Malásia foi interrompido na 31.ª volta de um total de 56 por causa da chuva forte. Enquanto aguardava a definição do diretor de prova, Charlie Whiting, sobre haver ou não relargada, a maioria dos pilotos se manteve concentrada, dentro do carro. Kimi, no entanto, percorreu os boxes de seu time, a Ferrari, chupando sorvete.

Esse aparente desinteresse e as reações nada comuns nesse mundo superprofissional da Fórmula 1 se contrapõem a sua eficiência como piloto, mesmo sem acompanhar o trabalho dos concorrentes, sempre útil nesse universo onde se busca milésimos de segundo.

O chefe da Lotus, Eric Boullier, encontrou uma receita saudável para conviver com Raikkonen: “Deixe-o. Você terá o melhor de Kimi”. Até os abusos com álcool em festas parecem estar moderados, agora.

Com os problemas técnicos nos treinos em Jerez de la Frontera, semana passada, e nos dois primeiros dias em Barcelona Raikkonen terá agora somente dois dias de testes, na próxima semana, também no Circuito da Cem Barcelona, até se apresentar para a etapa de abertura do Mundial, dia 17 na Austrália.

“Não vejo razão por não ser suficiente”, afirmou o piloto da Lotus, sempre com aquele olhar distante, voz baixa, pausada, demonstrando o que parece ser desinteresse na conversa. Isso ocorre até mesmo nos eventos promocionais com as empresas que pagam seu milionário salário, estimado em 6 milhões de euros, mais prêmio por conquista.

O modelo E21-Renault da Lotus é veloz, mas as repetidas panes este ano sugerem ser necessário maior tempo de preparação, diferentemente do que afirma seu principal piloto. “É normal ficar parado nos boxes por falta de peças de reserva, tudo é novo agora”, justificou ontem. Na melhor das suas 43 voltas o finlândes registrou 1min22s697, terceiro tempo, com os pneus médios da Pirelli. O seu companheiro, o francês Romain Grosjean, assume hoje o carro. A má notícia para a Lotus é a previsão de chuva para amanhã.

Não foi apenas a Lotus que ontem teve de manter o carro parado nos boxes. A tricampeã, a Red Bull, também. “Da primeira vez, de manhã, tivemos uma perda de pressão (hidráulica) e à tarde parei na pista porque achei que havia uma roda solta”, explicou Vettel, com 1min22s197 (84), segundo melhor do dia, com pneus macios. Mas os tempos obtidos pelo alemão em séries seguidas de volta já propõem outro grande carro da Red Bull.

Vettel, como todos os pilotos, sinalizaram estar enfrentando dificuldades para acertar o carro em razão de os pneus se degradarem rápido. “A temperatura do asfalto está baixa (ontem não passou de 25 graus) o que nos faz escorregar mais, com isso os pneus acabam logo. Nas corridas a temperatura será maior e não deveremos ter esse problema”, explicou Vettel. O autor da melhor volta, Perez, foi além: “Se a temperatura for essa teremos sete pit stops”, afirmou, brincando.

“A Pirelli produziu pneus de maior desgaste em relação a 2012, mas para as provas terem de duas a três paradas”, disse Paul Hembery, em Jerez, quando também até o composto duro teve breve vida útil, principalmente por causa do frio. “Aqui em Barcelona o maior problema de todos é com o dianteiro esquerdo, o mais solicitado nesse traçado”, comentou Perez.

Outro destaque do ensaio de ontem foi o inglês Lewis Hamilton, da Mercedes, autor do quatro tempo, com pneus duros, 1min22s726, e impressionantes 121 voltas, o equivalente a dois Gps. “Nossa preparação tomou o rumo certo. Conseguimos aqui fazer os pneus funcionarem melhor, o que não foi possível em Jerez”, disse Hamilton, muito econômico com as palavras e o tempo disponível.

Fernando Alonso completou bem menos voltas que terça-feira, 76 a 110, ontem. Não atendeu os jornalistas. Hoje é o seu último dia nessa série de treinos com a F138. Seu melhor tempo, 1min23s247, foi o quinto do dia.

Os demais tempos:
Valtteri Bottas (Williams), 1min23s561 (98), pneus macios; Daniel Ricciardo (Toro Rosso), 1min23s718 (70), pneus médios; Paul Di Resta (Force India), 1min23s971 (62), pneus médios; Nico Hulkenberg (Sauber), 1min24s205 (88), pneus médios; Max Chilton (Marussia), 1min25s115 (67), pneus macios; e Charles Pic (Caterham), 1min26s243 (102), pneus médios.

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