Enxurrada de vagas em 2010

liviooricchio

15 de junho de 2009 | 21h17

15/VI/09
Livio Oricchio

Faz muito tempo que os pilotos da Fórmula 3 e GP2 afirmam, com razão, que as possibilidades de chegar à Fórmula 1 são reduzidíssimas. “Entram um ou dois por ano, se tanto”, diz Luca Di Grassi, na sua quarta temporada na GP2, apesar de já ter demonstrado, como outros pilotos, possuir talento.

Mas tudo o que não houve de oportunidade nos últimos anos lhes será oferecido com sobras no próximo campeonato: haverá pelo menos dez vagas para jovens pilotos demonstrarem sua capacidade. Será uma enxurrada de estreantes, a maior da história da Fórmula 1.

A conta é simples. Pelo menos três novas equipes vão estar no grid em 2010: a Campos, do ex-piloto de Fórmula 1 espanhol Adrian Campos, a Manor, do inglês John Booth, e o projeto de time norte-americano US F1, conduzido pelo americano Ken Anderson e o inglês Peter Windsor. Só aí já são seis vagas. “Sem dúvida as minhas chances de correr na Fórmula 1 no ano que vem cresceram bastante”, comenta Bruno Senna, que domingo abandonou a 77.ª edição das 24 Horas de Le Mans. “Mas trabalho para conseguir um lugar numa escuderia já estruturada e não estreante, se possível.” Di Grassi diz ter sido contatado também.

O campeão do ano passado da GP2, o italiano Giorgio Pantano, é o único da história da categoria que não conseguiu vaga na Fórmula 1. Nico Rosberg, em 2005, Lewis Hamilton, em 2006, e Timo Glock, em 2007, os campeões da GP2 até então, sempre ascenderam à Fórmula 1. “Espero, agora, com essas vagas todas ter a minha oportunidade”, fala Pantano. Na realidade, antes mesmo da GP2 o italiano disputou 14 GPs em 2004, pela Jordan.

Mas além das seis vagas dos três times novos vão existir mais quatro de atuais pilotos que não terão seus contratos renovados. Pode ser que alguns possam, ainda, com sua experiência, ser úteis para as novas equipes que estão chegando. Mas os dirigentes estão bem sensíveis a jovens de talento.

Os veteranos são: Giancarlo Fisichella, 36 anos, da Force India, na Fórmula 1 desde 1996 (219 GPs), Jarno Trulli, 34 anos, da Toyota, com início em 1997 (206 GPs), Nick Heidfeld, 32 anos, BMW, na sua décima temporada, com 157 GPs, e Sebastien Bourdais, 30 anos, da Toro Rosso, com 25 GPs. Existe ainda a possibilidade de este ser o último campeonato de Rubens Barrichello, o que elevaria para 11 vagas novas em 2010, ou mais da metade do grid de hoje, composto por 20 pilotos.

A oferta de novas oportunidades vai permitir, também, que pilotos de potencial que não se deram bem em seus times atuais possam dispor de nova chance. Esse pode ser o caso de Nelsinho Piquet, da Renault, e Heikki Kovalainen, McLaren, por exemplo.

“Espero continuar aqui na Renault, mas se não for possível aceitarei o desafio de correr num time novo”, comenta Nelsinho. O que já se pode afirmar, antes ainda de o Mundial ter atingido a sua metade – domingo, em Silverstone, será disputado o GP da Grã-Bretanha, o oitavo do calendário -, é que haverá muitas caras novas na Fórmula 1 em 2010, tantas como nunca.

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