Equipe de Bruno realiza esforço heróico, mas é criticada

liviooricchio

12 de março de 2010 | 20h09

12/III/10
GP de Bahrein
Livio Oricchio, de Sakhir

Em condições normais, uma equipe de Fórmula 1 cujo piloto registra um tempo 11,5 segundos pior que o mais veloz num treino, como fez Bruno Senna, da Hispania, ontem, no primeiro dia de treinos do GP de Bahrein, seria motivo de grande preocupação. Mas ao contrário do que se poderia esperar, o resultado gerou celebração no time estreante na competição. “O pessoal está trabalhando desde terça-feira, praticamente sem parar. Completar 17 voltas é uma vitória de todos”, disse Bruno.

O ritmo do carro da Hispania, contudo, gerou críticas de vários pilotos, como Jenson Button, da McLaren. “A diferença de velocidade era muito grande, tornou-se perigoso”, disse o atual campeão do mundo. Bruno fez no circuito de Sakhir 2min06s968, 22.º tempo, enquanto o pole position da GP2, Luca Fillipi, por exemplo, marcou 2min07s087, ou apenas 119 milésimos mais lento.

“A minha preocupação não era ser o mais rápido, mas verificar se tudo funcionava no carro. Foi nosso primeiro teste”, explicou Bruno, feliz com sua estreia oficial na Fórmula 1. E por mais que o time trabalhasse, não conseguiu concluir a montagem do carro de Karun Chandhok, o outro piloto da Hispania, que não treinou.

Geoff Willis é o experiente engenheiro que está orientando a Hispania no GP de Bahrein. Já trabalhou na Williams, Honda e Red Bull, por exemplo. “Quando Colin Colles (diretor geral) me pediu ajuda e fui à fábrica da Dallara, encontrei lá um chassi desmontado e uma caixa, do lado, cheia de peças. Era tudo o que existia da escuderia”, contou. Dallara é um construtor italiano, contratado pela equipe para produzir o carro.

“Dê uma olhada no que existe hoje. Agora, de noite, dois carros, mecânicos, engenheiros, as instalações…conclua você mesmo se não é extraordinário que tudo esteja pronto em menos de duas semanas”, dizia Willis. “O máximo que esse pessoal dormiu foi três horas.” O clima de satisfação era visível nos 45 integrantes da Hispania.

Quase não há peças de reposição. Os pilotos terão de ser cuidadosos, hoje, na sessão classificatória, e amanhã, na corrida, caso não tenham maiores problemas e possam largar. Ontem, no fim da sessão da tarde, a roda traseira do carro de Bruno soltou-se, na freada do fim da reta, quando o piloto já estava devagar.

“Não fizemos o menor acerto no carro. Os pneus trabalharam errado, não temos a potência possível em razão de ajustes eletrônicos”, disse Bruno. “Penso ser possível que essa diferença caia logo para 5 segundos, como está a Lotus”, comentou Bruno. A Lotus é outra estreante e ontem Jarno Trulli e Heikki Kovalainen, seus pilotos, ficaram a cerca de 5 segundos do tempo de Nico Rosberg, da Mercedes, o melhor do dia, com 1min55s409.

O presidente da FIA, Jean Todt, preocupado com a questão da segurança, afirmou ontem ser favorável à volta dos tempo mínimo de classificação para disputar as corridas. Seria, como já foi, de no máximo 107% do tempo do pole position. No caso da sessão da tarde de ontem, esse tempo mínimo seria de aproximadamente 2min03s. “Mas só poderemos adotá-lo em 2011”, explicou.

Enquanto hoje, a partir das 8 horas de Brasília, os pilotos da Mercedes, McLaren, Red Bull e Ferrari devem lutar pela pole position da etapa de abertura do Mundial, Bruno e Chandhok vão torcer apenas para o carro não apresentar problemas e poder completar o máximo de voltas possível, seu único objetivo por enquanto.

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