Equipes começam a cogitar estratégias ilógicas

liviooricchio

23 de maio de 2011 | 10h27

23/V/11

Livio Oricchio, de Barcelona

  O que é melhor, visando a um melhor resultado no fim da corrida? Largar em sexto lugar no grid, tendo utilizado os pneus a disposição, ou em último, por não ter disputado a classificação, sábado, e por isso contar com três jogos de pneus macios novos? A lógica não deixaria dúvida: começar a corrida o mais à frente possível. Mas na Fórmula 1 de hoje as equipes começam a pensar se não é mais negócio não usar pneus novos na definição do grid, largar lá atrás, e dispor deles do domingo.

  Ontem Nick Heidfeld, da Renault, deu mais uma mostra de que o tempo final de prova tende a ser menor para quem pode contar com os pneus macios novos, dispõe de um carro rápido e o circuito permite ultrapassagens. O alemão largou em 24.º e último, por não disputar a classificação, em razão do fogo no seu carro, e se houvesse uma volta a mais na corrida teria ultrapassado também a dupla da Mercedes, Michael Schumacher e Nico Rosberg, para receber a bandeirada em sexto. Acabou em oitavo.

  “Eu não entendo. Eu larguei em sexto, estava em quinto no fim da primeira volta (ultrapassou Jenson Button) e terminei em 11.º. Já Nick (Heidfeld) largou em último e se classificou na minha frente, em oitavo, quase sexto”, disse um inconformado Vitaly Petrov, companheiro de Heidfeld.

  No GP da China, em condições semelhantes, Mark Webber, da Red Bull, saiu da 18.º posição no grid e acabou em terceiro, a 7 segundos do vencedor, Lewis Hamilton, da McLaren, e a dois segundos de Sebastian Vettel, o parceiro, segundo e autor da pole position.

  “A nova realidade dos pneus na Fórmula 1 colocou situações como essas. Alguma equipe grande vai pensar, agora, com seriedade, se não vale a pena usar apenas pneu duro na definição do grid, largar em 17.º, 16.º, e ter três jogos de pneus macios novos para a corrida. Pode, dependendo da pista, ser mais vantajoso”, comenta Rubens Barrichello, da Williams. Ontem era o seu caso, por causa da quebra do câmbio na classificação, mas para a estratégia dar certo é preciso contar com um carro minimamente rápido, categoria em que a Williams não se enquadra.

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