Equipes, Mosley e Ecclestone se reúnem nesta sexta-feira. Visam a entrar num acordo.

liviooricchio

21 de maio de 2009 | 16h03

21/V/09
GP de Mônaco
Livio Oricchio

Primeiro serão os representantes das equipes que irão se reunir, nesta sexta-feira, no início da tarde, em Mônaco. Na sequência, todos se dirigem ao Automóvel Clube para novo encontro. Desta vez com Bernie Ecclestone, donos dos direitos comerciais da Fórmula 1, e o presidente da FIA, Max Mosley, em pessoa, para a surpresa de muitos. O clima, ontem no circuito, era de distensão depois de várias discussões entre Ecclestone e diretores de times como Flavio Briatore, Renault, e Norbert Haug, Mercedes. Existe a possibilidade de se chegar hoje a um acordo e pôr fim à ameaça de um campeonato sem as principais equipes da competição em 2010.

“Let’s see, let’s see” ou “Vamos ver” limitou-se a dizer, ontem, Ecclestone, logo em seguida às conversas com Briatore e Haug. O que se sabe é que a associação das escuderias, Fota, vai propor hoje a Mosley, através de Luca di Montezemolo, presidente da entidade e da Ferrari, uma redução significativa de redução de custos para o ano que vem, mas sem o limite de orçamento de £ 40 milhões exigido por Mosley. Será a primeira vez que não se ver depois das acusações duras, recíprocas, através da imprensa.

Ontem, no entanto, Ecclestone adiantou aos representantes da Fota: “Não creio que Max vá voltar atrás no teto de investimento”. Ao que parece é também sua visão, diante da possibilidade de Toyota, Renault e até BMW deixarem a Fórmula 1 no fim da temporada, não mais por discordarem do regulamento imposto por Mosley, mas por razões financeiras.

Mario Theissen, diretor da BMW, comentou: “Os dois lados estão conscientes de que precisam deixar algumas questões de lado e se reunir. É possível, sim, chegarmos a um acordo, é do interesse de todos”. Confirmou que a Fota apresentará amanhã o seu pacote de cortar despesas para Mosley. “É o que precisamos agora, ter em mãos uma proposta para discutirmos.” Mas como Ecclestone em relação aos ideais de Mosley, o alemão lembrou: “Tem de ser algo que faça sentido para uma montadora permanecer na Fórmula 1.”

Pessoalmente, Ecclestone não quis responder se é a favor ou não do limite orçamentário de £ 40 milhões, sendo que as despesas com pilotos e ações promocionais não fazem parte do total. “Não sei, há muito tempo não sou mais proprietário de equipe. Se fosse, gostaria de uma regra que me fizesse, hoje, investir menos.” O inglês reconheceu que a ameaça de a Ferrari deixar a Fórmula 1 é real. “Não gostaria de vê-los de fora, mas infelizmente pode acontecer.”

Hoje começa o prazo para inscrição no Mundial do ano que vem. São 13 vagas para 26 carros. Mosley vem propagando ter “muita gente interessada”. Ontem Ecclestone disse saber que a maioria dos times existentes não se inscreverá. Sem a indelicadeza, para se afirmar o mínimo, da Ferrari, ontem, que discriminou os pretendentes, mas é verdade também que parte dos que manifestaram desejo de competir na Fórmula 1 não dispõe de estrutura para o desafio.

A Wirth Research, do inglês Nick Wirth, ex-engenheiro da Benetton e fundador, com Max Mosley, da ex-equipe Simtek de Fórmula 1, desenvolveu o modelo Acura da Honda para competir na American Le Mans Series e um cachorro-robô que virou manchete, Robo Dog RS01.

Outro candidato é a empresa alemã FormTech, que produz materiais sofisticados, como a fibra de carbono e o kevlar. Comprou o espólio da Super Aguri. A Litespeed é uma equipe sem expressão do Campeonato Britânico de Fórmula 3 e a Epslion Euskadi não consegue levar adiante seu plano de disputar as 24 Horas de Le Mans. A USGP, projeto de time dos Estados Unidos, é o único com estrutura, hoje, para poder levar adiante a idéia, embora não disponha ainda dos recursos necessários.

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