Está mais que na hora de Interlagos mudar seu traçado

liviooricchio

30 de abril de 2010 | 17h44

Olá amigos:
A fartura de informações a respeito do novo traçado de Silverstone nos permitiu compreender tratar-se de uma pista espetacular. Não acharam? Nunca entendi um circuito sem ao menos uma seção de alta velocidade.

Silverstone, não. Há vários trechos altamente seletivos, onde um piloto mais capaz tem como ganhar, na base apenas do talento, alguns décimos de segundo em relação aos adversários. Imagino que a maioria dos pilotos vai gostar.

Estou falando tudo isso porque já está mais que na hora de promover uma mudança significativa no traçado de Interlagos. A primeira providência seria introduzir um seção de alta velocidade, desejo dizer ao menos uma curva de alta velocidade, o que incrivelmente não possui.

A maioria dos circuitos passou por alterações nos últimos anos ou é mesmo novo no calendário. Vamos dar nome aos bois: Sakhir, em Bahrein; Catalunha, Barcelona; Silverstone, Inglaterra, Hockenheim, Alemanha; Hungaroring, Hungria, e Spa-Francorchamps, Bélgica. Todos tiveram suas extensões ampliadas.   

Com o aumento da velocidade média dos carros, pistas curtas como Interlagos, com seus 4.309 metros, os tempos de volta atingiram a casa do 1min10s. É muito pouco. Não contribui para o espetáculo. Ao menos para o padrão do show da Fórmula 1. Nos circuitos ovais esse tempo é bem menor ainda, mas a proposta lá é outra.

 Está na hora de a administração de Interlagos, os responsáveis pelo GP do Brasil, prefeitura e promotores, estudarem um novo traçado para Interlagos, que mantenha o que há de bom na pista, como seu relevo acidentado, ampliá-lo em extensão e, essencialmente, oferecer-lhe o que mais falta, curvas rápidas.

Pouca gente sabe disso: quando Ayrton Senna foi ver o que se estava fazendo em Interlagos em 1989, adequando-o para São Paulo receber de volta a Fórmula 1, ficou decepcionado com o que viu justamente no S do Senna. “Não foi isso que eu sugeri. Vocês fizeram uma curva de segunda marcha e eu imaginei um S de alta, em descida. Não é nada disso.” Quem estava do seu lado, na oportunidade – tive essa sorte -, sabe do que estou falando.

 Por que não resgatar o projeto original de Ayrton Senna, repensar o trecho e fazê-lo para distinguir os mais dos menos competentes, corajosos? Outra opção viável e sem custos fora da realidade para executar é fazer a reta que antecede o Laranjinha transformar-se num S de alta, o que valorizaria ainda mais o próprio Laranjinha. Estive inúmeras vezes em Interlagos visando especificamente esse estudo. Levei para Charlie Whiting, no GP da Austrália ainda do ano passado, sugestões do que fazer em Interlagos.

São dois exemplos possíveis de serem executados do ponto de vista técnico, sem deslocamento excessivo de terra e custo dentro do que a Prefeitura, me parece, poderia investir. Muitas outras opções de mudanças no traçado surgiriam a partir do momento que a Prefeitura decidisse levar adiante o projeto. Chegou a hora de Interlagos também ter um circuito moderno, compatível com o avanço da Fórmula 1, a exemplo do que fez a maioria dos autódromos do calendário.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.