Está mais que na hora de mudança na CBA

liviooricchio

07 de dezembro de 2008 | 23h45

08/XII/08

Amigos: esse é o texto original de minha coluna de hoje, segunda-feira, no Jornal da Tarde

“Fui convidado para fazer parte da diretoria e aceitei. Estou nessa chapa que concorre à
presidência da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) e pretendo promover uma virada
de página, tenho projetos sensacionais.” Isso foi o que me disse, ontem, Paulo Gomes, em
Interlagos.

Como muitos profissionais desse negócio chamado corrida de carro, Paulo Gomes, com a autoridade de quem já ganhou quatro vezes a Stock Car, acredita que a hora é de mudança nos rumos desse esporte no Brasil. Este é um espaço para opinião: eu também penso dessa forma, com o lastro de ter coberto 300 GPs de Fórmula 1.

Hoje na sede da CBA, no Rio de Janeiro, os representantes de cinco federações vão tentar
discutir, em histórica assembléia extraordinária, as regras da próxima eleição, em março, dentre outros temas. Dá para imaginar o que não se tentará para dificultar a oposição.

O candidato é o primeiro vice-presidente da entidade, Cleyton Pinteiro, de Pernambuco. Não o conheço, mas vale o risco. Seja quem for, com certeza vai tentar fazer alguma coisa para tirar o automobilismo brasileiro da quase insolvência, com exceção, lógico, da Stock Car. E iremos fiscalizá-lo, sim, de perto.

Esse marasmo, essa apatia, o desinteresse com que esse esporte é tratado hoje no País impõem que se tente algo. A minha parte é expor o que se passa, alertar que temos uma oportunidade, em março, de, quem sabe, acabar com os desmandos de toda natureza da atual
administração por algo novo, distinto do que mais caracteriza a nação.

Vou citar um exemplo: ano passado, Rubinho Carcasci, promotor da Seletiva Petrobras de Kart, competição séria há 10 anos, procurou o presidente da CBA, Paulo Scaglione, para discutir a famosa taxa da entidade. Scaglione começou cobrando R$ 165 mil. É isso mesmo, R$ 165 mil para poder oficializar a competição que visa a selecionar jovens de talento do kart, berço do automobilismo. Você consegue acreditar?

Diante da impossibilidade de atender à incoerente exigência, Carcasci teve de negociar. E a taxa saiu por R$ 65 mil. Desconto de R$ 100 mil (?). Estive na etapa final da Seletiva, disputada há duas semanas, na Granja Viana, em Cotia, a que reuniu os campeões. Havia alguém da CBA? Não! A entidade pediu que enviassem os resultados? Não. Que oficialização é essa? Em resumo: a CBA simplesmente ignorou o evento, queria cobrar R$ 165 mil e pôs, em algum cofre, R$ 65 mil. A CBA, portanto, não passa de um falso cartório.

Dá para compreender melhor, agora, o que Paulão deseja dizer com a hora é de mudança? O momento, amigos, é de apurar, em detalhes, sem esmorecer um instante sequer, o que se fez com o arrecadado? É o próximo capítulo de nossa história.

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