Está nas mãos da Ferrari

liviooricchio

10 de julho de 2011 | 21h37

10/VII/11

Amigos, esse é o texto de minha coluna nesta segunda-feira no Jornal da Tarde

Há atenuantes para explicar a perda de desempenho da Red Bull. Primeiro tanto a classificação quanto a corrida de Silverstone foram disputadas com importante variação na aderência do piso. Ora molhado, ora apenas úmido, ora seco. Essas condições costumam mascarar os resultados.

Depois a equipe de mecânicos de Sebastian Vettel, sempre supereficiente, ontem o fez perder cerca de 8 segundos a mais do normal no segundo pit stop, na 27.ª volta. O GP teve 52. Mais: Lewis Hamilton foi responsável por segurar Vettel da 27.ª a 36.ª volta, fazendo-o perder um segundo, em média, por volta.

Tudo isso explica Fernando Alonso tê-lo vencido em Silverstone? Não. A principal razão foi uma combinação de fatores, dentre eles os mencionados, mas não o principal.

O que mais permitiu à Ferrari ganhar a prova ontem foi a proibição do escapamento aerodinâmico, responsável maior por a Red Bull ter, quando a pista secou, rendimento semelhante e por vezes pior que o da equipe italiana. Vettel reconheceu, ontem: “Hoje eles eram mais rápidos que nós”.

Por maior que tenha sido a evolução da Ferrari com os novos assoalho e aerofólio traseiro, não se recupera mais de um segundo nas classificações, em especial num circuito com o de Silverstone, sob medida para a Red Bull, de uma etapa para a outra. O avanço da Ferrari é real como é a limitação do modelo RB7-Renault da Red Bull sem o escapamento aerodinâmico.

Deu para entender depois da bandeirada o quase desespero de Adrian Newey e Christian Horner, da Red Bull, para convencer os chefes de equipe da necessidade de todos concordarem com o proposto pela FIA: fim da proibição do escapamento aerodinâmico, desde que todos os times concordem.

As indicações em túnel de vento que Newey possuía já lhe indicavam sensível piora no desempenho, o que surpreendeu muita gente na Fórmula 1. Dentre elas, eu. Pensava-se fosse menos.

Agora a sequência do campeonato dependerá do que será definido: se já na Alemanha será possível correr com o escapamento aerodinâmico ou não. Sem ele, como em Silverstone, será outra competição. Red Bull, McLaren, Mercedes e Renault perdem mais que a Ferrari. Daí a hesitação de Stefano Domenicali, diretor da escuderia italiana, em assinar o documento para se atingir a unanimidade exigida pela FIA.

Sim, seria ótimo para o time a continuidade da proibição, como ficou evidente ontem. Mas péssimo para sua imagem dentro e fora da Fórmula 1, ainda que a opinião pública se choque num primeiro momento e depois tende a esquecer tudo, infelizmente. Seria o caso de se perguntar, agora: por qual razão nas temporadas de 2002 e 2004, quando a Ferrari sobrou na competição, não houve nenhum movimento no sentido de rever as regras do jogo durante o campeonato?

A FIA, entenda-se Max Mosley, interveio, mas ao exigir que no ano seguinte, 2005, a troca de pneus fosse proibida. A Ferrari despencou. Mas sabia-se, bem antes, qual seria o regulamento. Os italianos perderam eficiência porque a Bridgestone, sua fornecedora de pneus, não demonstrou a mesma competência da Michelin, da Renault, campeã com Fernando Alonso, para produzir pneus resistentes e de elevada performance.

A Ferrari e a Bridgestone, no entanto, tiveram tempo para responder ao novo desafio. O que não é o caso agora com a Red Bull, ao se proibir um dos recursos de maior responsabilidade no desempenho, o escapamento aerodinâmico, no meio da temporada.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.