Estréia de Hamilton entrou para a história

liviooricchio

18 de março de 2007 | 09h40

Material enviado à redação
Reportagem de F-1: Trajetória de Hamilton daria um roteiro de cinema
GP da Austrália
Livio Oricchio, de Melbourne

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Kimi Raikkonen venceu na sua estréia na Ferrari, estabeleceu a melhor volta do GP da Austrália e largou na pole position. Inconstestável seu trabalho. Mas quem roubou a cena, mesmo, ontem, no circuito Albert Park, foi o inglês Lewis Hamilton, jovem e talentosíssimo piloto da McLaren. Ele também fez sua estréia, mas não apenas na equipe, senão na Fórmula 1, com 22 anos, e terminou no pódio, em 3º. O último piloto a conseguir proeza semelhante foi Jacques Villeneuve, da Williams, em 1996, na mesma prova.

Hamilton teve personalidade para ultrapassar seu companheiro de McLaren, ninguém menos de o bicampeão do mundo, Fernando Alonso, na largada, e mantê-lo atrás de si até a 45ª volta de um total de 58, quando uma duvidosa operação de pit stop de seu time acabou por inverter as colocações. Hamilton caiu para 3ª enquanto Alonso assumiu o 2º lugar. Isso tudo sem nunca ter estado na Austrália.

“É fabuloso, dei tanto da minha vida para um dia chegar à Fórmula 1 e agora estou recebendo de volta o alto investimento que fiz em mim mesmo”, disse o primeiro piloto negro da história da competição. “Liderar o meu GP de estréia é algo que jamais pensei, tudo era novidade para mim.” Com o primeiro pit stop de Raikkonen, na 19ª volta, Hamilton, então 2º, assumiu a liderança da etapa de abertura do campeonato. E permaneceu líder até a 23ª, quando fez sua primeira parada. Raikkonen voltou a ser 1º.

Alonso ultrapassaria Hamilton apenas na 45ª volta, no seu 2º pit stop, por conta de o inglês ter parado duas voltas antes e enfrentar tráfego na volta de entrada no box. Ficou no ar a suspeita de que a McLaren colocou um pouco mais de combustível no carro do espanhol, no primeiro pit stop, visando já permitir que desse uma ou duas voltas a mais de Hamilton, o que favoreceria reassumir, no pit stop seguinte, a 2ª colocação perdida na largada, como ocorreu.

“A equipe decidiu e nós acatamos, não estou pensando em nada disso, mas em tudo que vivi hoje, aqui”, falou Hamilton. Com a ambição dos campeões, disse: “O que temos de fazer, agora, é retornar à fábrica e trabalhar dia e noite para melhorarmos nosso carro.” Reconheceu que o ritmo de corrida da Ferrari, como falou Alonso também, a esta altura da competição, “é superior ao de todos.” Hamilton volta às pista, agora, dia 27, no teste coletivo da Malásia.
FIM

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