F-1 não deve sofrer nada com a queda do banco Lehman Brothers

liviooricchio

17 de setembro de 2008 | 10h30

17/IX/08
Livio Oricchio, de São Paulo

Tão logo o banco Lehman Brothers anunciou a concordata, segunda-feira em Nova York, fãs da Fórmula 1 no mundo todo que sabem da sua participação no negócio demonstraram preocupação. A competição poderia ser afetada? A holding que a administra é a Formula One Group e o Lehman Brothers possui 16,8% de participação. Os demais cotistas são o banco JP Morgan, com 3,2%, o grupo britânico CVC Capital Partners, com 70%, e Bernie Ecclestone, promotor do show, 10%.

Segundo alta fonte relacionada diretamente com a questão, em Londres, o CVC já adquiriu a parte do Lehman Brothers e, portanto, a crise enfrentada pelo banco não vai gerar nenhum desdobramento na Fórmula 1. Os principais proprietários da Fórmula 1 teriam agido rápido. Acompanhavam as dificuldades do seu sócio há tempos e antes de sua participação no Formula One Group entrar na massa falida, agora, trataram de adquiri-la. A notícia deverá ser confirmada em breve, informou, ontem, a fonte.

Segundo explicou, poderia haver algum desgaste se não houvesse comprador para a participação do Lehman Brothers no Formula One Group, mas como a Fórmula 1 é um negócio rentável, seu sócio majoritário fez, sempre de acordo com informação da Inglaterra, o que planejava não de hoje.

A Formula One Administration (FOA) é a empresa do Formula One Group responsável pela exploração comercial do evento. São várias as suas fontes de receita. A principal é a venda dos direitos de TV. Cerca de 160 países recebem as imagens das corridas, o que rende à FOA algo estimado como meio bilhão de dólares por temporada. Mas há outras fontes, como a cessão do nome para os mais distintos produtos, como vídeogames. Há um contrato de exclusividade com a Sony. A relojoaria suíça Jacques Lemans tem linha exclusiva de esportivos, bem como o champanhe francês Mumm, oferecido no pódio.

Outra empresa do grupo é a All Sport Management, que cuida da comercialização de placas nos autódromos em várias etapas do calendário e a venda da área de paddock club, também chamada VIP. Compõe ainda receita significativa a taxa cobrada por Bernie Ecclestone aos promotores a cada edição da prova, hoje na casa dos US$ 30 milhões. No total, o cálculo mais aceito pelos profissionais da Fórmula 1, pois nem eles têm acesso a esses números, indica que a FOA arrecada algo como US$ 1 bilhão por ano.

O Lehman Brothers leva, ou levava, o seu quinhão desse bolo, assim como os demais sócios do Formula One Group e quem faz o espetáculo, as equipes, que recebem ao final do campeonato valor proporcional a sua colocação no campeonato. Como é bastante dinheiro, tem para todo mundo.

O Lehman Brothers apareceu na Fórmula 1 por acaso. O magnata da comunicação alemão Leo Kirch adquiriu parte da holding em 2000 e recorreu aos bancos para financiar seu projeto. O Lehman Brothers, o Bayerische Landesbank e o JP Morgan lhe emprestaram o capital. Valor total do investimento: cerca de US$ 1,5 bilhão. Mas em 2002 o grupo Kirch faliu e os bancos assumiram sua participação no Formula One Group. O grupo CVC comprou em 2005 importante parte da participação de cada um, mas restaram ainda o Lehman Brothers e JP Morgan. Agora, pelo que se afirma em Londres, restaram apenas CVC, JP Morgan e Ecclestone.

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