F1.07, o carro da BMW, equipe que deve crescer este ano

liviooricchio

16 de janeiro de 2007 | 18h06

Depois da Toyota, Ferrari e McLaren, hoje foi a vez de a BMW Sauber lançar seu novo carro de Fórmula 1. A Renault, oficialmente, apresentará o modelo R27 apenas dia 24, em Amsterdã, mas Nelsinho Piquet já havia feito o shakedown do monoposto em Silverstone, sexta-feira, e hoje Giancarlo Fisichella começou a testá-lo em Jerez de la Frontera, na Espanha. Aos poucos a Fórmula 1 vai expondo sua cara para a temporada que irá iniciar dia 18 de março em Melbourne, na Austrália.

O F1.07 da BMW é o primeiro carro a ser concebido e construído pela montadora para a competição. O do ano passado ainda teve a responsabilidade do grupo de técnicos da Sauber, organização adquirida pela BMW, apesar de vários dos profissionais terem permanecido no time, como o diretor-técnico Willy Rampf. A diferença é que a BMW contratou mais de 100 novos funcionários, para todas as áreas. A sede ainda é em Hinwil, perto de Zurique, Suíça.

A montadora alemã expôs o F1.07 no circuito Ricardo Tormo, em Valência, de forma discreta, sem o super-show da McLaren, segunda-feira, que teve até a apresentação do Cirque du Soleil. E depois de permitir aos fotógrafos registrar as imagens que desejassem, o que a Ferrari não fez, e os integrantes da equipe atenderem à imprensa, Nick Heidfeld, seu piloto mais experiente, andou com o carro. Na realidade, fez o shakedown para amanhã poder exigir mais do F1.07.

O outro piloto será a nova promessa da Fórmula 1, Robert Kubica, polonês de apenas 22 anos e que, ano passado, na sua terceira corrida no Mundial, em Monza, classificou-se em terceiro. Aposto no futuro de Kubica. Rápido, constante, frio, concentrado, determinado, interessado, enfim, um grande talento.

Fiz uma longa entrevista com Kubica, ano passado, ainda em Bahrein, abertura do campeonato. E ele era apenas o terceiro piloto da BMW. No texto brinquei, chamando-o de Huguinho, referência a um personagem dos desenhos animados. Huguinho era um ganso. Meio desengonçado e não dos mais bonitos da turma, por isso lhe zombavam sempre. Kubica, da mesma forma, não é o protótipo do modelo fotográfico, como desejam alguns patrocinadores da Fórmula 1. Mas a diferença de Huguinho, o polonês é dos pilotos mais capazes.

O fato é que lhe levei, depois, a reportagem publicada até com destaque aqui no Estadão e, para minha surpresa, riu e gostou do que fiz. Desde então converso com regularidade com ele. Na etapa seguinte ao pódio em Monza, por exemplo, em Xangai, permanecemos bons e gostosos minutos, na companhia de seu empresário, Daniele Morelli, a quem conheço desde os tempos em que trabalhava com Pedro Paulo Diniz, conversando sobre a sua proeza. Passagens como o susto que levou ao ver uma cortina de fumaça levantada pela explosão do motor Renault do carro de Alonso, bem à sua frente, a mais de 300 km/h.

O grupo de pilotos da BMW tem outro menino que me parece também bem dotado de velocidade, o alemão Sebastian Vettel, de apenas 18 anos. Sua atuação às sextas-feiras depois de Kubica passar a titular, a partir do GP da Hungria, impressionaram mesmo. Se existe uma equipe do bloco médio com potencialidade para crescer na Fórmula 1 é a BMW. Colocaria minhas fichas que irão conquistar, por méritos próprios, algumas colocações no pódio este ano.

Enquanto isso, na bat caverna, a escuderia bicampeã do mundo, quietinha, já trabalha num ritmo mais acelerado. Amanhã, Fisichella e o finlandês Heikki Kovalainen vão treinar em Jerez já com o R27. O primeiro time a dispor de dois carros novos para seus pilotos. A base técnica do ano passado nos leva a crer que o R27 deve ser tão ou mais eficiente que o monoposto do segundo título da Renault.

A grande dúvida está nos seus pilotos. No que eles serão capazes de fazer. Fisichella no máximo pode coadjuvar as corridas, enquanto kovalainen é um imenso mistério. Uma coisa é ser veloz nos 25 mil quilômetros de testes que realizou, outra é dividir as freadas, administrar as corridas, as tensões do fim de semana, acertar o carro no pouco tempo disponível, pit stops etc. Ao menos no início da temporada, faz sentido imaginarmos algumas dificuldades da escuderia dirigida por Flavio Briatore.

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