Façam suas apostas senhores…

liviooricchio

28 de fevereiro de 2008 | 23h20

28/II/08

Vocês fazem um bolo de apostas e sequer me convidam, hein? Uma ocasião, quando eu trabalhava ainda na aviação, à noite, e estudava na Universidade de São Paulo durante o dia, liderei um desses bolões.

Sabe de que corrida? Do GP do Brasil de 1978. Quem lembra? Essa mesmo, a famosa corrida em que o Emerson Fittipaldi levou o Copersucar ao segundo lugar. Venceu o Carlos Reutemann, com Ferrari, enquanto o piloto que dominaria a temporada, Mario Andretti, com o carro mais bonito que vi até hoje na Fórmula 1, o Lotus 79, foi apenas quarto. Ah, o Lauda classificou-se em terceiro, com Brabham.

As apostas ficaram comigo. Num daqueles repentes de última hora, deixei o meu palpite com duas pessoas da empresa, como forma de garantir a lisura da disputa.

Foi a sorte. Escolhi o pódio na contramão dos concorrentes, ao menos o segundo e o terceiro colocados. Se vencesse, provavelmente seria sozinho. E não é que por pura obra do acaso acertei os três primeiros? Claro que ganhei.

Se eu tivesse usado a mesma lógica que orientará o meu palpite agora – vou entrar no bolão, sim , oras -, eu não teria vencido. Mas como procuro colocar sempre um sentido no que faço e de alguns anos para cá a Fórmula 1 se tornou menos imprevisível, ao menos em extremos, talvez chegue perto da realidade, ainda que reconheça as muitas variáveis envolvidas na competição.

Apesar de o Felipe Massa ter sido um ou dois décimos, na média, mais lento que o Kimi Raikkonen nos testes, acredito que fará a pole position do GP da Austrália. Pode até mesmo arriscar uma estratégia um pouco mais ousada se, por ventura, nos treinos livres compreender que seu ritmo de corrida for levemente pior que o do companheiro.

Queria deixar uma coisa clara: já vi o mundo esperar algo de um piloto e depois ele não corresponder. Como já experimentei situação em que não se tinha expectativa maior em determinado piloto e, na seqüência, o nosso amigo mostrou melhor sua competência.

Já escrevi e repito: este ano o Massa enfrentará um parceiro mais bem preparado que em 2007, mas isso não significa que o duelo acabou antes de começar.

Mas se para a pole meu favorito é o Massa, apostaria mais fichas em Kimi como vencedor. No meu palpite, Massa ocupa o segundo lugar. O traçado do circuito Albert Park tradicionalmente é favorável à Ferrari. Acredito que este ano não deverá ser diferente.

Como a McLaren na pré-temporada mostrou-se muito próxima da Ferrari, a lógica me propõe que Lewis Hamilton é o piloto com maiores chances de ser o terceiro e Heikki Kovalainen, por também demonstrar estar um ou dois décimos mais lento que o inglês, o quarto. Fecho com o que faz mais sentido.

Amigos, se a lógica nos trair estou frito. Vai ter comentarista dizendo: como acessar o blog de um cara não acertou ninguém. Corro esse risco. Mas não sou de ficar em cima do muro. Minha opinião, e aqui é o espaço para expô-la, está de alguma forma sempre presente no que faço.

Acho que teremos alguma equipe surpreendendo no GP da Austrália. Coisa do tipo oferecer mais do que imaginamos em função da pré-temporada. Sabe do que gostei nos testes? Da consistência do trabalho de Adrian Newey na Red Bull.

Imagine, o conheci num teste de pneus em Jacarepaguá, no início de 1989, quando começou e ainda tinha cabelo, ao projetar os carros da March e já deixar seu cartão de visitas inovador na Fórmula 1. Costuma ser gentil e atencioso quando lhe procuro.

Penso que Mark Webber e David Coulthard talvez possam obter um resultado mais expressivo do que poderíamos esperar. Completaram muitas e muitas voltas, sem as dificuldades técnicas do ano passado e com bons tempos de volta.

Se no fim de semana em Melbourne for assim, os dois podem estar entre os oito primeiros, por exemplo, mas com tempo de prova animador.

Desta vez não terei problemas com o conhecimento prévio de meu palpite para o bolão dos quatro primeiros e a surpresa da abertura do campeonato. Ao contrário: mais exposto impossível! Boa sorte senhores competidores!

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