Falamos já de Barcelona, onde amanhã começa a segunda série de testes da F-1

liviooricchio

18 de fevereiro de 2013 | 19h22

18/II/13
Granollers

Olá amigos.

Escrevo já de Granollers, município localizado ao lado do Circuito da Catalunha, cuja área pertence ao município de Montemeló, ambos a 21 quilômetros ao norte de Barcelona. Do aeroporto deve-se seguir a autoestrada AP-7 direção Girona, cidade balneária próxima da fronteira com a França. Passo por lá quando venho para Barcelona de carro. É uma viagem gostosa, apesar do desgaste do controle doentio de velocidade na França.

Em muitos trechos o limite é 110 km/h, mas a estrada é excelente, larga, considero até perigoso. Tem-se a sensação de estar muito devagar, é um convite para o motorista cochilar. Nunca me aconteceu, mas amigos italianos que vieram de Milão sinalizaram o problema, em especial porque já estavam cansados, depois de seis, sete horas de condução.

Desta vez vim de avião. Voei com a Swiss de Nice para Genebra e de lá para cá, Barcelona. Quem é usuário frequente do aeroporto de Zurique, para mim o mais eficiente do mundo, o de Genebra precisa comer muito fondue e raclette para chegar perto do de Zurique. De Nice a Genebra, 55 minutos de voo, apenas, permanecemos o tempo todo sobre os Alpes.

Sempre definem um cenário muito bonito, no inverno ganham ainda mais destaque. Vários comandantes chamam a atenção para os passageiros observarem o Mont Blanc, a montanha mais alta dos Alpes, com 4.810 metros de altura, localizado na fronteira entre Suíça, França e Itália.

No belo aeroporto de Barcelona retirei meu Fiat 500, por minha escolha, na Europcar, empresa que quase sempre alugo o carro. Acho que já contei, aqui. Há muitos anos, fiz um trabalho jornalístico para o então chefe de imprensa da Ferrari, Claudio Berro, profissional de elevada competência – daqueles que você compreende que precisa crescer para chegar ao seu nível – e ele reservou um automóvel na Europcar para mim.

A Fiat é sócia da empresa e a Ferrari pertence à Fiat, daí a relação entre a montadora italiana e a Europcar. O fato é que meu nome ficou registrado no arquivo da Europcar como sendo da Ferrari. E toda vez que telefono para fazer a reserva quem atende sempre cita o fato. O mesmo ocorre quando vou retirar o carro no aeroporto. Você não vai acreditar: por vezes me dão um up grade no automóvel. Fico quietinho.

Do aeroporto até o circuito são aproximadamente 40 quilômetros pela autoestrada. Há a opção de cruzar Barcelona pela área do porto, através da ronda dalt, via expressa. O caminho é mais curto, porém mais lento. Nessa ronda passávamos, até há alguns anos, por um estádio. Muitos brasileiros que têm lá mais de 40 anos devem se lembrar do Estádio Sarriá.

No dia 5 de julho de 1982 uma das melhores seleções de futebol do Brasil perdeu inesperadamente para a Itália, de Paolo Rossi, por 3 a 2, e deixou a Copa. Foi no Sarriá. Hoje, na sua área, há um shopping. O estádio foi demolido.

Bem, vou ser mais breve porque senão o texto vai embora. Fui direto para o circuito antes de vir ao hotel da Emilia, ontem me instalo há anos. Ela e o marido Jordi me recebem como poucos. Até equipes da GP2 se hospedam no seu hotel. É simples, mas atende perfeitamente nossas necessidades operacionais.

Quando cheguei onde deveria ser a sala de imprensa do circuito havia alguns ingleses trabalhando. A sala estava vaia. Retiraram todas as mesas. “A equipe Williams reservou a área para um evento com seus patrocinadores”, disse-me um dos operários. Não é a primeira vez. Eles reduzem a sala de imprensa a um quarto da dimensão original por comercializarem o outro espaço. Nós, jornalistas e fotógrafos, nos esprememos num salão que é menos da metade do original.

Mas o interessante é que a sala, ou o que restou dela, estava fechada e não havia ninguém. Fui procurar a administração do autódromo e me disseram que só amanhã vai estar operativa.

Não iria embora sem dar uma volta no paddock. Vi de longe Fernando Alonso, enquanto saía dos boxes e subia a escada do motorhome do time, não o da imprensa, para se reunir com Andrea Stella, seu sempre acessível engenheiro. Não sei se é porque estava um pouco longe, mas Alonso me pareceu ainda mais magro do quando o havia visto em Madonna di Campiglio, há um mês.

A Williams vai apresentar o modelo FW35-Renault amanhã. Hoje, porém, com Pastor Maldonado, fez o shakedown do monoposto. Um carro de série equipado com câmara móvel, bastante sofisticado, precede o modelo de Fórmula 1 registrando as imagens. O conjunto traseiro do FW35 é uma obra de arte de engenharia.

O câmbio é o menor e o mais baixo da Fórmula 1, solução complexa de se conseguir. O carro não é tão distinto, ao menos que pude perceber numa rápida observação. Amanhã terei oportunidade de vê-lo detalhadamente. Ah, aqui é um ótimo lugar para ir para o meio da pista. A curva 3 é longa, veloz, costuma ser reveladora da eficiência aerodinâmica dos carros.

As equipes mantêm painéis móveis em frente aos boxes, de forma que não vi um único carro fora o da Williams. Tenho certeza de que todos vão ter grandes modificações em relação ao que vimos em Jerez. “O nosso é bem básico ainda”, disse Ross Brawn, diretor técnico da Mercedes, no primeiro teste. “Para Barcelona já teremos várias soluções novas estudadas para esse carro.”

Veja o que a aerodinâmica faz: em Jerez, no segundo dia, a Ferrari modificou o fluxo dos gases do escapamento. Giorgio Piola me explicou, com desenho, o que foi feito. E de um dia para o outro o que deveria ser um detalhe transformou o F138. Massa passou a dispor de um carro bem melhor no inserimento de curva. Era visível.

Não gosto desse modelo técnico para a Fórmula 1. Prefiro que a performance melhore mais decorrente do avanço dos motores, câmbio, suspensão do que um simples apêndice aerodinâmico. Não faz sentido um único detalhe aerodinâmico redimensionar um projeto. A engenheria da Fórmula 1 é tão mais ampla que isso…

Não vi Paul Hembery, diretor da Pirelli. Ele sempre me explica tudo. Aprendo com esse inglês torcedor do Bristol. Ross Brawn é fanático pelo Manchester, por ser da cidade, como Hembery é de Bristol. Mas sei que a Pirelli trouxe os quatro tipos de pneus para Barcelona: supermacio, macio, médio e duro.

“Poderemos comparar com os dados da equipe registrados aqui no ano passado e ter uma referência da evolução e entender melhor como funcionam os pneus da Pirelli este ano. Jerez não acrescentou muito porque a pista estava impensável, os pneus acabavam depois de poucas voltas”, disse-me Steve Nielsen, diretor da Toro Rosso.

O Circuito da Catalunha tem mais a ver com o que os times vão enfrentar no campeonato além de fazer parte do calendário. Em Jerez, o tricampeão Sebastian Vettel, da Red Bull, afirmou: “O treino de Barcelona será bem mais representativo para entendermos o estágio de cada um nessa fase do que este aqui”.

Boa noite, amigos. Comi espetacularmente no Naguabo, restaurante de comida típica espanhola. Sou super fã da culinária deste país. Antes esperávamos para ser atendido lá, enquanto hoje havia várias mesas vazias. A crise aqui na Europa é séria.

Não faz frio. Fui e voltei a pé ao Naguabo. Diria que a temperatura estava na casa dos 10 graus, à noite. Para o inverno europeu está ótimo. Peguei um dias de frio realmente intenso em Nice. As montanhas do norte da cidade tinham muita neve. Barcelona está quente em relação ao Sul da França.

Amanhã nos falamos da sala de imprensa, combinado?

Abraços!

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.