Faz sentido acreditarmos na evolução da Mercedes

liviooricchio

15 de fevereiro de 2012 | 15h18

15/II/12

Livio Oricchio, de São Paulo

O experiente Ross Brawn, o engenheiro por trás dos sete títulos mundiais de Michael Schumacher, hoje diretor técnico da Mercedes, ponderou e chegou à conclusão de que era melhor utilizar o período dos primeiros testes coletivos da Fórmula 1, em Jerez de la Frontera, na Espanha, para avançar nos estudos do novo carro da equipe, F1 W03, o mais aguardado do ano, junto da Ferrari F2012.

Mercedes e Ferrari, diante dos fracos resultados na temporada passada, foram as equipes que mais se reestruturaram para se aproximar de Red Bull e McLaren. Por isso, o F1 W03 será apresentado apenas pouco antes de a pista ser aberta na terça-feira, no Circuito da Catalunha, em Barcelona, dando o início à segunda série de testes. Foi o que anunciou a montadora alemã, ontem.

Quando Jenson Button, campeão do mundo em 2009, optou por se transferir para a McLaren logo depois de conquistar o título com a Brawn GP, muita gente na Fórmula 1 se surpreendeu. O competente piloto inglês disse ao Estado, em entrevista exclusiva: “Fui acusado de pensar apenas em dinheiro. Mas a mudança não teve nada a ver com isso. Fui para a McLaren porque sabia que a Brawn GP disputaria um campeonato bem difícil em 2010, pela sua falta de estrutura.” E foi essa a escuderia que a Mercedes comprou: um time pequeno que conquistou o título por explorar melhor do que os concorrentes o decisivo recurso aerodinâmico do duplo difusor.

Em 2010 e 2011, os resultados da Mercedes comprovaram o que afirmara Button. No seu primeiro ano, classificou-se em quarto entre os construtores, com 214 pontos, diante dos 498 da Red Bull. E no ano passado foi pior ainda: quarta, com 165 pontos, enquanto a Red Bull obteve 650.

Esse quadro impôs uma completa reestruturação da equipe. Brawn primeiro chamou um velho conhecido, o diretor técnico da Renault, o inglês Bob Bell, depois seu colega de Ferrari por anos, o italiano Aldo Costa, diretor técnico dispensado pela escuderia de Maranello, e o experiente Geoff Willis, ex-diretor técnico da Red Bull, entre outros trabalhos.

Com tantas mudanças estruturais na área técnica, a Mercedes espera reduzir a diferença que a separa dos melhores desde a sua reestreia na F-1, em 2010. Mas corre contra o tempo: Red Bull, McLaren e Ferrari já treinaram com seus modelos de 2012. Schumacher e Nico Rosberg vão dispor de quatro dias de testes em Barcelona, na semana que vem, e depois outros quatro dias, também no Circuito da Catalunha, de 1º a 4 de março. Período curto demais para quem mexeu tanto na equipe.

“É um risco calculado”, explicou Brawn, sobre a decisão de retardar o lançamento do F1 W03. Depois dos testes de Jerez, ainda com o modelo de 2011, Rosberg comentou: “A equipe já trabalha diferente, já crescemos, posso sentir isso”. Faz sentido acreditarmos na evolução da Mercedes.

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