Felipe Massa em xeque

liviooricchio

18 de março de 2008 | 16h13

18/III/08
Amigos, acabei de chegar a Kuala Lumpur, depois de uma viagem desgastante por conta de a Fórmula 1 em peso estar na mesma aeronave. Não havia um único lugar vazio. Foram 8 horas de Melbourne para cá, mas muitas horas de espera na Austrália.

Esse é o texto da minha última coluna no Jornal da Tarde. Penso ser oportuno, por isso disponibilizo aqui também.

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Não há como o tema ser outro: a atuação de Felipe Massa no GP da Austrália, domingo. Nelsinho Piquet precisa de pelo menos outro fim de semana de competição para mostrar algo em então podermos comentar.

Havia grande expectativa com relação à prova de Felipe Massa na equipe supostamente mais bem preparada, a Ferrari. E antes de o time italiano não corresponder a sua tradição de eficiência, com a quebra dos motores de seus dois pilotos, quem falhou primeiro foi Massa.

A exemplo do que fez ano passado, quando conseguiu reverter situação difícil depois das duas primeiras etapas, Massa pode já na Malásia, no fim de semana, relançar-se na competição com autoridade. Mas como diz Rubens Barrichello, “na Fórmula 1 você vale tanto quanto o que fez na última corrida”, Massa desembarca em Kuala Lumpur com desconfianças ainda maiores das que gerava antes de começar a temporada.

Errou muito feio em Melbourne. Ainda na segunda curva depois da largada. Justificou com a inserção da marcha errada, primeira em vez de segunda. Mas a responsabilidade é sua da mesma forma. Ele comandou a troca de marchas.

O mais importante é que se Massa deseja não apenas lutar pelo título como manter-se na Ferrari em 2009 tem é já na Malásia de demonstrar para a equipe e a torcida que não é o piloto que não se pode confiar, como muitos acreditam. Não pode cometer equívoco algum ao longo das 56 voltas da etapa de Sepang e, mais que isso, terminar a prova muito bem colocado.

A idéia de que Massa é apenas um piloto veloz sedimenta-se perigosamente na Fórmula 1 a cada erro. E seu desafio é enorme. Os testes e o fim de semana na Austrália demonstraram que Kimi Raikkonen, seu companheiro, está ligeiramente mais rápido. Na tentativa de aproximar-se ou superar o finlandês, Massa aumentou suas escapadas de pista.

Quem acompanhou de perto as sessões livres da etapa de abertura do campeonato e até a prova, ontem, viu como está mais difícil a situação hoje para Massa se comparada com a de 2007.

Com o time todo passando por dificuldades, como a Ferrari na Austrália, é bom Massa não ser um ônus a mais. Ao contrário, deve mostrar-se um piloto capaz de auxiliar a organização sair da difícil situação experimentada nesse começo de Mundial. Caso contrário, antes mesmo da metade da temporada a nova direção da Ferrari, sem Jean Todt, cujo filho é empresário de Massa, começará a pensar em um substituto para 2009.

Por enquanto e só um alarme e nem do tipo vermelho. Até porque Raikkonen errou tanto quanto no evento. Mas um sinal de que precisa, necessariamente, ser mais útil à Ferrari, no mínimo trazendo mais pontos para casa. Rubinho citou como Massa é capaz de renovar-se, sair das situações adversas. Pois então que recorra já a essa capacidade para cindir o juízo de perdedor que se forma a cada dia e cujas consequências poderão ser bem desagradáveis.

FIM

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