Ferrari, de um extremo a outro

liviooricchio

27 de maio de 2011 | 09h01

26/V/11

Livio Oricchio, de Mônaco

  Domingo, em Barcelona, Fernando Alonso, da Ferrari, classificou-se na quinta colocação, uma volta atrás do vencedor, Sebastian Vettel, da Red Bull, e gerou uma crise que levou à dispensa do diretor técnico da equipe, Aldo Costa. Ontem, apenas quatro dias mais tarde, Alonso, com o mesmo carro, estabeleceu a melhor volta no primeiro dia de treinos do GP de Mônaco, 1min15s123, cerca de meio segundo (544 milésimos) melhor que Vettel.

  “É simples de explicar”, disse Alonso. “Nessa pista, a aerodinâmica conta menos, fazemos a maioria das curvas a 110, 120 km/h, e como estamos usando os pneus macios e supermacios, de elevada aderência, os problemas aerodinâmicos do nosso carro são minimizados.” Prudente, falou, ainda: “A Red Bull costuma crescer muito na classificação. É bom esperar.”

  A boa notícia para Alonso e seu companheiro, Felipe Massa, sexto ontem, 658 milésimos mais lento do espanhol, porém, é que nas duas etapas seguintes à de Mônaco, em Montreal, dia 12, e Valência, 26, a Pirelli vai disponibilizar os mesmos pneus que, pelo visto, “combinaram bem com o carro”, definiu Massa.

  “A hora de tentar recuperar alguns pontos em relação a Vettel é agora”, afirmou Alonso. O alemão da Red Bull venceu quatro das cinco provas disputadas este ano. Soma 118 pontos diante de 51 do piloto da Ferrari, quinto.“No Canadá vamos ter uma versão bem modificada do nosso carro. Penso ser possível crescermos como no ano passado, quando perdemos o título por pouco.”

  O que Alonso não disse é que a função de Costa assumida pelo inglês Pat Fry tem o seu dedo. O asturiano trabalhou com Fry na McLaren, em 2007, e ao ser consultado mais que apoiou a mudança. Agora que Costa está fora, as histórias começam a surgir e explicam, em parte, as dificuldades da Ferrari. O projetista-chefe, Nikolas Tombazis, já comentou, fora dos microfones, que Costa vetava a maior parte das soluções arrojadas de projeto “para não assumir riscos”. Isso explicaria o conservadorismo extremo do modelo atual, 150.º Italia.

  É verdade, também, que Fry circula com desenvoltura entre os colegas de profissão. Sua missão é reforçar a área de projetos da Ferrari. Tombazis está longe de ser uma unanimidade. Dois técnicos estão na sua lista, dentre outros: Rob Marshall, projetista-chefe da Red Bull, subordinado ao genial Adrian Newey, e o especialista em aerodinâmica do time de Vettel, Peter Prodromou, ambos ingleses.

  “Um dos problemas para se contratar engenheiros da concorrência é que seus contratos exigem que, no caso de deixar a organização, permaneçam seis meses ou um ano sem exercer nenhum trabalho na nova equipe”, explica uma fonte. E como o modelo de 2012 já está em estudos no túnel de vento, esses novos técnicos não poderiam interferir nos projetos da próxima temporada, mas apenas nos de 2013, quando o regulamento mudará radicalmente.

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