Ferrari deve mesmo largar na frente em 2007

liviooricchio

29 de novembro de 2006 | 21h17

A maior intimidade da Ferrari com os pneus Bridgestone de novo ajudou a equipe italiana no Circuito da Catalunha, em Barcelona. Hoje, a exemplo de ontem, enquanto Renault, McLaren, Honda, BMW Sauber, Red Bull e Toro Rosso realizavam diferentes acertos nos carros e, em seguida, viam sua reação, a fim de compreender como funcionam os pneus Bridgestone – essas seis escuderias competiam com Michelin -, a Ferrari trabalhava já na checagem de componentes para a temporada de 2007. Os italianos utilizam os pneus japoneses desde 1999.

Com muita probabilidade Massa tinha um pouco menos de gasolina no carro que ontem. Hoje o vencedor do GP do Brasil registrou na melhor das suas 83 voltas o tempo de 1min16s406, Ontem, 1min17s160. É uma melhora muito grande para ser explicada com apenas pequenas mexidas no acerto do chassi, em especial porque choveu, hoje, e entre 10 horas e 11h30 quase ninguém deixou os boxes. É cedo para se dizer qualquer coisa, mas esse conhecimento da Ferrari dos pneus Bridgestone deve também favorecê-la na fase inicial da temporada.

Os seis times que competiam com Michelin terão pouco tempo para realizar simulações com seus modelos 2007 equipados com os pneus japoneses. Os primeiros testes com os carros novos serão destinados a torná-los mais confiáveis. Somente no fim do estágio inicial de desenvolvimento é que poderão realizar simulação de corrida, mas aí já estaremos perto de assistir ao embarque das equipes para a abertura do campeonato, dia 18 de março na Austrália.

De qualquer forma, já deu para compreender que tanto a McLaren quanto a BMW Sauber largaram na frente da Renault nesse processo de trocar de fornecedor de pneus. Ontem, Nick Heidfeld, da BMW Sauber, fez o segundo tempo do dia, 1min17s159 (72 voltas). O espanhol Pedro de la Rosa, que ontem ficou perto da marca de Massa, também o mais rápido – 1min17s160 diante de 1min17s455 – hoje obteve 1min17s584 (77), 4.º. A McLaren continuou com o curso básico de aprendizagem administrado a Lewis Hamilton, que reconheceu existir um clima tenso entre ele e Pedro de la Rosa.

Hamilton completou apenas 47 voltas, 30 a menos do espanhol, com 1min17s748 na mais rápida (6.º). Se ontem teve problemas elétricos no motor, hoje levou um susto com a perda da roda traseira esquerda, por sorte numa curva de baixa velocidade.

Mika Hakkinen está de volta. Amanhã ele irá testar o modelo MP4/21 da McLaren, organização com quem foi campeão do mundo em 1998 e 1999. Nos últimos dias esteve na sede da equipe, em Woking, ao Sul de Londres, a futurista edificação de nome Paragon, para tirar o molde do banco e experimentar no simulador o que é a realidade atual da Fórmula 1, diferente já da que deixou no fim de 2001. Ron Dennis e Norbert Haug confiam muito em Hakkinen, que disputará, mais uma vez, o DTM em 2007, pela Mercedes. Foi sexto este ano. O finlandês será uma espécie de consultor deles na Fórmula 1, daí ser importante o contato com o carro do time.

A Toyota iniciou ontem sua preparação, com Olivier Panis e o japonês Kamui Kobayashi. O francês fez 1min17s643 (5.º). A escuderia que mais investe na Fórmula 1, mais de US$ 400 milhões por ano, deve crescer em 2007. Mas seus principais problemas, de administração interna, de falta de sintonia entre as várias áreas que compõem uma equipe de Fórmula 1, a ausência de uma grande liderança, talvez não tenham sido resolvidos, ainda.

Essa é também uma das dificuldades da Honda. A começar pelo departamento de imprensa. É, disparado, na opinião dos jornalistas, o menos eficiente e cortês. Por vezes, amador até. E o problema parece se estender para o Brasil também. Estou fazendo um estudo para uma reportagem sobre o retorno do investimento na Fórmula 1, agora que as equipes são de montadoras. E qual a empresa que você deixa recado e sequer recebe um retorno dos seus responsáveis pela imprensa, obviamente sempre muito ocupados para lhe atender no momento da ligação a fim de ouvir sua reivindicação de dados?

Quando concluir o trabalho, deixarei o recado aos leitores do Estadão: “A Honda não retornou as ligações destinadas a pedidos de entrevistas.” Curiosamente, nas ocasiões em que solicitei o uso de um carro da frota a empresa não hesitou em nos atender.
Ontem Rubinho, da Honda, completou quase o equivalente a 1,5 GP, 96 voltas. Na mais veloz, 1min17s922 (7.º). Christian Klien, ex-Red Bull, estreou como piloto de testes da formação japonesa, 1min18s383 (11.º).

Nelsinho Piquet de novo realizou excelente treinamento. Seu carro tem o sistema de transmissão do modelo de 2007, o R27. Heikki Kovalainen, o finlandês substituto de Fernando Alonso, ficou com o mais chato: pára no box, amolece as suspensões, volta para a pista e analisa o que acontece. Depois de 5 voltas retorna aos boxes e experimenta o contrário para checar a reação.

O importante é conhecer as reações básicas do carro com os pneus Bridgestone, bem mais duros que os Michelin que vinham utilizando. Ontem Nelsinho deu 93 voltas no Circuito da Catalunha, com 1min18s312 na melhor (9.º). Kovalainen, 1min18s757 (51), 13.º. Lembrando sempre que cada equipe recebeu 16 jogos de pneus para os 3 dias de testes, esteja com um ou dois carros.

Bom teste de Mark Webber, com a Red Bull, que manteve no grupo boa parte dos que formavam a Jaguar, de quem a empresa austríaca comprou o time e Webber tão bem conhece. O australiano registrou 1min18s249 (44), 8.º, enquanto David Coulthard, seu companheiro, 1min18s526 (72), 12.º.
A temperatura subiu um pouco. Variou de 11 a 17 graus enquanto o asfalto, de 13 a 20 graus.

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