Ferrari em xeque: não pode errar mais

liviooricchio

17 de julho de 2008 | 15h19

16/VII/08
GP da Alemanha
Livio Oricchio, de Hockenheim

Os treinos livres do GP da Alemanha, hoje, marcam o início da segunda parte da temporada. A prova no circuito de Hockenheim é a décima do calendário de 18 etapas. Até agora o campeonato foi marcado pelo nível de competição, afinal três pilotos dividem a liderança da classificação, Lewis Hamilton, Felipe Massa e Kimi Raikkonen, todos com 48 pontos, e os muitos erros da equipe Ferrari. Há um consenso na Fórmula 1: com o carro que tem e sem esses equívocos, Massa e Raikkonen deveriam estar bem mais à frente no Mundial.

O presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, afirmou logo depois da corrida de Silverstone, dia 6: “Chega de erros estúpidos”. Já para o GP da Alemanha, o time coordenado por Stefano Domenicali, diretor-esportivo, e Luca Baldisseri, chefe de equipe, modificou a forma de planejar a corrida. “Criamos ainda mais janelas a fim de não sermos surpreendidos”, disse Domenicali. As escuderias têm um planejamento prévio, do tipo: se há um safety car entre a largada e a 5ª volta, por exemplo, o que é melhor em termos de estratégia? Se for entre a 6ª e a 10ª, vale a pena chamar o piloto para o box, mantê-lo na pista? E assim sucessivamente. “Também para o caso de chuva há diferenças em relação ao que fazíamos”, explicou o italiano.

O objetivo é decidir tendo já estudado as mais variadas condições possíveis previamente, dentro dessas janelas de planejamento. Assim o resultado das decisões tende a ser menos equivocado. A maioria dos fatores já foi levada em consideração. “Claro que não dá para cobrir todas as possibilidades”, explica Luca Colajanni, assessor da Ferrari. As falhas da escuderia nas etapas de Mônaco e Silverstone foram decorrentes da previsão incorreta do tempo. “Usamos o mesmo serviço da FIA, Meteo France, e tanto numa prova como na outra o gráfico do avanço ou estagnação da chuva nos levou àquelas decisões (veja ao lado como a direção da Ferrari errou e as consequências para seus pilotos)”, diz Colajanni.

No balanço de meia temporada da Ferrari encontram-se erros também de seus pilotos. “Num campeonato como esse, onde temos sempre de dar tudo, é normal que essas coisas aconteçam”, falou, ontem, Raikkonen. “Eu preciso rever meus erros, compreender as razões, e, como o restante do time, procurar a todo custo não cometê-los mais”, comenta Massa. “Não é o caso de sair acusando esse ou aquele integrante.” Para Domenicali, essa é a questão básica: “Não recair nos mesmos problemas”.

Os novos dirigentes da Ferrari lembram que também na era Michael Schumacher-Ross Brawn, a de maior sucesso de um organização na Fórmula 1, entre 2000 e 2006, também aconteceram equívocos comprometedores. “Na Hungria, em 2006, erramos nos pneus e Schumacher terminou oitavo quando podia ser segundo”, lembra Colajanni. “Poucos se dão conta também de nossos acertos em condições complexas, a exemplo de Nurburgring e China ano passado.” Domenicali assumiu este ano a direção esportiva e pensa que as nove etapas realizadas constituem um universo pequeno para julgar o trabalho do novo grupo.
Ontem a equipe Red Bull confirmou o alemão Sebastian Vettel, atualmente na Toro Rosso, na vaga de David Coulthard em 2009

Veja, a seguir, os erros da Ferrari nesta temporada

O campeonato começou dia 16 de março com um show de equívocos da Ferrari. Felipe Massa errou ainda na primeira volta e o motor de seu carro e o de Kimi Raikkonen quebrou. Na etapa seguinte, Malásia, 23 de março, Massa de novo perdeu o controle do modelo F2008 e abandonou. Na sexta prova do calendário, em Mônaco, dia 25 de maio, antes da largada os mecânicos demoraram mais do permitido para deixar a área do grid e Raikkonen teve de cumprir um drive-through.

Durante a corrida, intepretou os gráficos meteorológicos da Meteo France de maneira equivocada. Esperava chuva e encheu tanque de Massa no pit stop. Resultado: não choveu e seu piloto acabou em terceiro quando poderia ter sido segundo. Raikkonen teve a pior performance da carreira na Fórmula 1. Acabou em nono. O campeonato foi para o Canadá, dia 8 de junho, e um problema no reabastecimento de Massa, obrigando-o a um pit stop extra, o deixa em quinto. Seria naturalmente segundo.

O GP da Grã-Bretanha irritou Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari. Na classificação, os mecânicos não conseguiram fixar uma roda traseira no carro de Massa e ele perdeu a última volta lançada. Largou em nono. Na corrida, mais uma vez a interpretação equivocada da previsão do tempo distribuída pela Meteo France levou a direção do time manter Massa e Raikkonen na pista com os mesmos pneus intermediários depois do pit stop.

“Acreditávamos que a chuva iria parar”, falou Colajanni. Mas a chuva aumentou e seus dois pilotos passaram a ser cerca de 5 segundos mais lentos por volta. Raikkonen poderia ter lutado pela vitória e acabou em quarto, enquanto Massa errou demais e não foi além da 13ª colocação. A Ferrari espera que o GP da Alemanha marque o início da segunda metade da temporada e o de uma nova fase gerencial, com menos erros.

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